Cleison Silva/Divulgação
Cleison Silva/Divulgação

Bons ventos levam mestres, suingue e encantamento a Jeri

Com o Bandão Choro Jazz, o arranjador e compositor Jânio Silva fecha neste domingo a 6ª edição do festival cearense

Lauro Lisboa Garcia , Especial para O Estado de S. Paulo

07 Dezembro 2014 | 07h00

JERICOACOARA (CE) - Desde 2009, quando o produtor Capucho inaugurou o Choro Jazz Jericoacoara, o jovem músico Jânio Silva vem estudando com mais dedicação, nas oficinas comandadas por alguns dos maiores instrumentistas contemporâneos, que vêm para cá não só para fazer shows, mas participar das jam sessions e dar aulas, dividindo experiências. Aos 26 anos, Jânio agora vive de música, tocando piano, acordeom, violão e escaleta com apresentações em cinco noites por semana, com diversas formações instrumentais.

Arranjador e compositor, admirado pelos mestres, ele é responsável pela sonoridade do Bandão Choro Jazz, formado por jovens instrumentistas daqui e que vai encerrar a sexta edição do festival neste domingo. Quatro das seis composições inéditas que a banda vai tocar são dele.

Um dos hábitos de Jânio é compor tributos a seus mestres pianistas que encontrou aqui. Depois de Cristóvão Bastos e Gilson Peranzzetta, dessa vez o contemplado foi André Mehmari, que veio a Jeri pela primeira vez este ano. Para a aula matinal de sexta-feira, Mehmari levou uma composição inédita, que fez em retribuição a Jânio.

“O que achei mais interessante e aprendi com Mehmari é que, além de tocar piano solo, ele escreve muito bem para orquestra. São duas coisas que estou almejando buscar agora”, diz Jânio, que nasceu em Cruz, município vizinho. “Antes de vir pra Jericoacoara estudei com meu pai e meu irmão, e teve uma época em que fui pra Fortaleza, onde fiz conservatório de piano popular e erudito por quatro anos. Mas desde que começou esse festival, pra mim tem sido a melhor escola de todas”, afirma. “Esses caras virem pra cá dividir experiências com todo esse talento, é o que tem de melhor.”

Para Mehmari – que acaba de lançar um DVD do precioso projeto Miramari, em parceria com o clarinetista italiano Gabriele Mirabassi – o encantamento “pelo contexto todo” reverbera a impressão de todos que vieram tocar aqui em anos anteriores. “É toda uma nova realidade, e acho que pra mim, além de encontrar tantos amigos, como Mirabassi e Mário Laginha, com quem também tenho um duo, o maior troféu, o maior presente foi ter visto Jânio tocar”, conta. “Porque é um cara que está vivendo essa realidade, não está descolado como nós estamos. E está se beneficiando da existência desse festival. Ele absorve essas informações com muita alegria e avidez – coisa que muitas vezes a gente não vê nos grandes centros.”

Italiano se encanta com ritmo

Clarinetista Gabriele Mirabassi ministra oficinas no País e fica satisfeito com o progresso dos alunos

JERICOACARA (CE) - Músico de formação clássica, o clarinetista italiano Gabriele Mirabassi foi procurar no jazz uma forma de melhor expressar sua linguagem, mas encontrou na música brasileira seu maior campo de expansão. “O que encontrei nesse país é a grande e maravilhosa oportunidade de vocês terem uma tradição viva, que faz parte da sua identidade. Essa música é de uma enorme complexidade e variedade. E, a partir dessa identidade, os músicos daqui fazem um trabalho contemporâneo, de atualização”, observa o parceiro de André Mehmari, Guinga e Roberto Taufic. “É lindo, profundo, difícil, mas não deixa de ser emocionante.”

Em muitas partes do Brasil onde ministra oficinas, ele diz que é gratificante ver o progresso dos alunos. “Um desses jovens daqui, que tocava bateria, começou a tocar clarineta depois que viu meu show com Guinga no ano retrasado. Em Jeri, todo dia é uma emoção diferente, mas, quando vi o Bandão Choro Jazz no palco, não deu pra segurar as lágrimas.” / L.L.G.

Mais conteúdo sobre:
Música

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.