Bons shows não salvaram falta de organização em evento no RJ

Sobraram filas grandes para comprar cerveja quente e utilizar os banheiros disponíveis na Marina da Glória

Nicola Pamplona,

25 de outubro de 2008 | 13h41

"Que beleza / é a fila da cerveja". O refrão-manifesto, adaptado do primeiro verso de Imunização Racional (Que beleza), de Tim Maia, começou a ecoar logo após a execução da música pelo coletivo paulistano Instituto, que fechou a segunda noite da edição carioca do TIM Festival. E, dada a falta de organização do evento, poderia ganhar variações, com críticas também às filas da pulseira (necessária para acesso às tendas), do banheiro ou, deixando de lado a rima, dos táxis ou vans essenciais para deixar o festival, realizado pelo segundo ano consecutivo na Marina da Glória. "Parece até que eu paguei R$ 5 para entrar", reclamava uma moça que lutava para conseguir algo para beber no minúsculo bar instalado no palco 3, durante o programa Ponte Brooklin. Na verdade, ela havia desembolsado R$ 140 e, enquanto se degladiava para tentar receber um copo de cerveja quente, retirada diretamente da caixa, perdeu pelo menos duas músicas do bom show do MGMT, que apresentou um rock psicodélico cheio de referências dos anos 60 e 70. Os problemas de organização já eram visíveis no início da noite, quando a primeira leva de público enfrentava longa fila para a troca de ingressos por pulseiras em um posto avançado de troca montado próximo à entrada. Naquele momento, a baixista americana Speranza Spalding já fazia a primeira apresentação do palco 2, que encerrou brincando, em scats, com o nome do violonista Chico Pinheiro, convidado para acompanhar seu trio no tema I adore you. Pouco antes da apresentação do rapper Kanye West, a fila para a entrada no palco 1, a maior das três tendas montadas na Marina, atravessava o Village, a área de convivência do evento, cuja decoração este ano não teve os contêineres coloridos que surpreenderam no ano passado. A pirotecnia da ópera-rap de West agradou o público, formado em sua maioria pela gente bronzeada da zona sul carioca. Sua música, no entanto, foi salva apenas pelo poderoso grave extraído das caixas de som. Já passava da 1h30 quando o Instituto subiu ao palco montado no Village para encerrar a noite, com grande presença do público egresso das três tendas. Com 16 pessoas no palco, o coletivo fez um tributo à chamada fase Racional de Tim Maia, quando o músico gravou dois discos para difundir idéias da seita Universo em Desencanto, álbuns que renderam alguns clássicos como Imunização Racional (Que beleza), O caminho do Bem e Ela Partiu - esta última, sampleada pelo Racionais MCs para a base de O homem na estrada. Restrito à edição carioca deste TIM Festival, o show-tributo teve as músicas em um andamento arrastado, mais próximo das gravações originais do que das versões tocadas em pista de dança, mas com muito suíngue e bons improvisos dos rappers Kamal e Curumim. Perto das 3h, extensas filas ainda se formavam nos bares montados no entorno da área livre, o que motivou a livre adaptação do verso de Tim Maia (no original: "que beleza / é curtir a natureza") por uns gaiatos da platéia. No Rio, o TIM Festival será encerrada neste sábado com shows de Neon Neon e Klaxons, no palco 1, Bill Frisell Trio, Enrico Pieranunzi Trio e Tomasz Stanko Quintet no palco 2 e Marcelo Camelo, Arnaldo Antunes e Roberta Sá, no palco 3. No Village, seis DJs e o grupo de gipsy punk Gogol Bordello fecham a noite no programa TIM Festa. Nos próximos dias, Vitória ainda recebe algumas das atrações.

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