Bons shows não empolgam público do Chivas

Com um show correto e pouco empolgante (foi o que achou a platéia), a pianista Geri Allen, revelação do jazz americano nos anos oitenta, abriu a segunda noite de espetáculos do Chivas Jazz Festival. Acompanhada pelos irmãos Jonhson (baixo e bateria), pelo cantor Andy Bey e pelo percussionista Mino Cinelu, Allen transitou pelo blues, soft jazz e be-bop com maestria mas não conseguiu agradar os presentes.Quem roubou a cena foi Minu Cinelu. O percussionista nascido nas Antilhas Francesas provou no palco do Palace porque é considerado um dos mais respeitados instrumentistas da música mundial. Definitivamente, não é à toa que esse fabuloso músico acompanhou gente do porte de Miles Davis e Dizzy Gilespie. Atacou atabaques, congas e pratos e fechou sua intervenção com um belo solo de triângulo. Outra estrela da noite, o veterano Andy Bey - dono de voz poderosa, capaz de alcançar timbres graves e agudos com extrema facilidade - deu um sabor especial à apresentação de Geri Allen. Ar de bom senhor, calmo, estalando os dedos no centro do palco enquanto os companheiros reproduziam notas em seus instrumentos, Andy Bey conquistou o público. Cantou, acompanhou nota a nota o piano de Allen e, literalmente, ´solou´ com a garganta. Vanguarda - Don Byron, eleito ano passado o melhor clarinetista de Jazz pela revista Down Beat, entrou no palco por volta das 11h15. Fez um espetáculo sincero baseado em Music for Six Musicians, 4º álbum de sua carreira, lançado em 1995. No show e no disco, influências de free jazz e música latina. Destaque do espetáculo foi o comportamento do compositor, que, descontraído, apresentou uma a uma as músicas. Nome expressivo da vanguarda musical nova-iorquina, Byron infelizmente não contou com a cooperação da ´galera´. Quando anunciou a última música, grande número de pessoas aglomerou-se ao lado do palco, e, sem esperar o músico concluir, começou a transitar em busca da porta de saída. Pena destes que não souberam apreciar o belíssimo show de Byron. Uma apresentação carregada de técnica e emoção.Hoje, a partir das 21h, três shows fecham a programação do festival: o guitarrista Charlie Hunter e seu trio, as ´lendas´ Mal Waldron e Steve Lacy e a nova revelação do jazz, o vibrafonista Stefon Harris.

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