Wassef Sokkari/Divulgação
Wassef Sokkari/Divulgação

Bons shows em cenário paradisíaco no 6º North Sea Jazz Festival, em Curaçao

Lionel Richie, Randy Newman e John Legend brilharam no palco caribenho

Adriana Del Ré / CURAÇAO, O Estado de S. Paulo

06 de setembro de 2015 | 21h24

Nesta época do ano, faz muito calor na agradabilíssima Ilha de Curaçao, no Caribe. Nos demais meses, também. O clima quente e as belezas naturais são os grandes trunfos desse país, que atrai ao longo do ano muitos europeus, sobretudo os holandeses (ex-colonizadores que ainda mantêm forte vínculo com os curaçalenses), e os latinos, como os venezuelanos, que estão a apenas 40 minutos de avião da ilha.

O povo é poliglota – fala fluentemente papiamento, inglês, holandês e espanhol –, e bom anfitrião. Um destino turístico ainda não tão popular quanto sua vizinha Aruba, mas está se pavimentado o caminho para isso. E a realização do Curaçao North Sea Jazz Festival desde 2010 entra como um reforço nessa missão. 

Ao redor do mundo, é comum o fã de música se deslocar de seu país para outro em busca do festival com a programação de seus sonhos, vide eventos já solidificados como Coachella ou mesmo Rock in Rio. É nesse perfil de público que o North Sea Jazz parece apostar. Em sua 6.ª edição, realizada na sexta, 4, e no sábado, 5, o festival voltou a apostar num formato enxuto, com média entre 10 mil e 11 mil pessoas por dia, e importantes nomes da música mundial no line-up. 

Não foi preciso se fazer longas caminhadas entre os três palcos instalados em uma área de 15 mil m², dentro do complexo do World Trade Center. Tampouco se viu filas para comida, bebida ou banheiro. E, a exemplo de outros festivais, o North Sea Jazz adotou a moeda própria, os tokens. Na conversão, 4 tokens equivalem a US$ 6, o que, em tempos de moeda americana em alta no Brasil, torna, ao menos para nós, os preços mais salgados. 

Para as plateias dos Palcos Sam Cooke, por onde passam as principais atrações do festival, e Sir Duke, à beira-mar, muita gente levava suas cadeiras dobráveis e as abria tranquilamente, mesmo em shows mais lotados. 

O Palco Celia, que fica no meio do caminho entre os dois outros palcos, funciona dentro de um teatro com assentos, apropriado para abrigar apresentações mais intimistas. Nesta edição, a cantora Cassandra Wilson abriu a programação nesse palco, na sexta, seguida pelo premiado vocalista Gregory Porter.

Com estilo cool, Porter foi acompanhado por uma banda de jazz em sua formação clássica. As merecidas atenções voltadas para ele só não foram plenas, porque o público tinha livre acesso para entrar e sair do teatro e, assim, o vaivém das pessoas interferia na concentração de quem estava sentado enquanto Porter estava lá, em grande performance.

No sábado, dia 5, no mesmo palco, outros dois bons momentos: a cantora e compositora de soul Bettye Lavette, de 69 anos, que começou a carreira jovem e só foi redescoberta nos anos 2000, fez um show vigoroso e, depois, o compositor Randy Newman, ao piano, como um experiente showman que é, divertiu a plateia com boas histórias, bom humor e canções, como as que fez para a trilha de Toy Story

No Sam Cooke, o palco das grandes atrações, valeu a pena assistir aos shows de Lionel Richie, no primeiro dia, e de John Legend, no segundo. Lionel apresentou um repertório basicamente só com seus sucessos de carreira. “Vamos ter todas as músicas que eu me lembrar”, prometeu ele logo no início do show. E cumpriu com uma arrebatadora sequência de hits.

Emendou canções de seus tempos de grupo The Commodores, como Brick House e Easy (esta última, numa versão estendida, que começou ao piano, tocado por ele, e depois ganhou até uma levada reggae) com as da longa carreira solo, como  Hello, Ballerina Girl, Three Times a Lady e Say You Say Me. All Night Long, um de seus grandes sucessos dos anos 1980, parecia selar sua apresentação.

Mas ele voltou ao palco para cantar We Are The World e lembrar também de Michael Jackson, seu amigo e parceiro nessa canção gravada por um supergrupo de artistas, em 1985.

John Legend fez um show bem amarrado, não muito diferente do que vem apresentando nos últimos tempos. Carismático, ficou entre o piano e a posição de frontman. Não deixou de fora sucessos seus, como Save Room, Green Light e All of Me. Amigo de Legend, Usher, outro nome de peso da música americana, fez show pouco envolvente, no mesmo palco, no sábado.

Um dia antes, Enrique Iglesias apresentou-se diante de uma plateia lotada, investindo em músicas do novo disco, Sex and Love, e em antigos hits, em inglês e espanhol.

Com vista para o mar, o Palco Sir Duke trouxe boas apresentações femininas: a da cantora Emeli Sandé e do grupo de R&B The Pointer Sisters, com vocais poderosos em clássicos como Jump

A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DE CURACAO TOURIST BOARD

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