Bono une uma de suas maiores estratégias humanitárias ao lançamento de 'Invisible'

A cada faixa baixada de graça, um dólar ia para os doentes de países subdesenvolvidos

Julio Maria , O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2014 | 18h31

O exército do irlandês voltou a agir e o que era para ser uma simples apresentação na final do torneio de futebol americano Super Bowl, no domingo, se tornou mais uma arma na cruzada de Bono Vox. Pelo acordo, o U2, de Bono, iria aproveitar sua participação no programa para mostrar o trecho de um minuto do clipe da nova música, Invisible, que estará no próximo disco da banda, tratado como segredo industrial. "É apenas algo para as pessoas se lembrarem de que nós existimos", disse o vocalista ao jornal USA Today. Mas Invisible tem sido mais do que isso.

Usando a descomunal audiência do Super Bowl - em 2013 foram 114 milhões de espectadores -, Bono surgiu muito mais como o pacifista do que como líder de banda de rock. Depois de ter apenas um trecho do vídeo de Invisible, dirigido por Mark Romanek, lançado no Super Bowl, a música ficou disponível durante 24 horas para download gratuito. E a cada download, o Bank of America se comprometeu a doar US$ 1 para a organização (RED), que ajuda Bono em sua luta contra a aids, a tuberculose e a malária em países subdesenvolvidos. Os dólares só parariam de pingar na conta da associação antes das 23h59 desta segunda-feira se fosse atingida uma soma de US$ 2 milhões.

A faixa produzida por Danger Mouse, da dupla Gnarls Barkley, não deixa Bono correr riscos. Guitarras dobradas de Edge, som cheio, vocal para ser cantado em coro e com as mãos para o alto leva, curiosamente, versos pacificadores mais da alma do que do Planeta. "Eu sou mais do que você sabe / Eu sou mais do que você vê aqui / Mais do que você deixe-me ser / Eu sou mais do que você sabe / Um corpo de uma alma / Você não me vê, mas você segue/ Eu não sou invisível." Os fãs do U2, independentemente da canção, correram em massa e baixaram a música aguardando pelo próximo álbum ainda sem data para sair no mercado. Se tomarem Invisible como termômetro, podem imaginar os bons tempos de All That You Can't Leave Behind, de 2000, mas o material ainda é pouco e qualquer previsão de rumo que a banda venha a tomar não passaria de cartomancia barata.

Aos 53 anos, Bono se tornou o único líder humanitário do rock em escala mundial. Ao se colocar na mesa os poucos nomes ainda capazes de lotar três Estádios do Morumbi em dias consecutivos, a constatação é de que não sobra outro que tenha o mesmo DNA. Paul McCartney, pelo conjunto da obra, é o grande showman; Mick Jagger, o maior empreendedor; e Elton John, um romântico de família. A lista dos feitos do irlandês o distancia do processo de interiorização dos grandes ídolos, que já deixaram de acreditar que podem fazer um mundo melhor. Bono não só acredita como gasta os tubos para isso.

Desde 1986, quando fez pelos Estados Unidos a turnê A Conspiracy of Hope Tour, ao lado de Sting, sua vida acumula as funções de pop star com a de uma espécie de embaixador da humanidade. Quando esteve entre os três primeiros vencedores do Prêmio TED, em 2005, teve o direito de anunciar "um desejo de mudar o mundo". Acabou fazendo três, sendo o terceiro o de que cada hospital, clínica de saúde e escola na Etiópia estivessem conectados à internet em 2006. Um sonho que ainda não foi realizado. Uma de suas últimas ações, antes de se unir ao Bank Of America na noite de domingo, foi dizer o que disse ao ex-presidente Lula, em Londres, no ano passado. "Você é hoje a única pessoa em condições de liderar uma cruzada internacional para transformar o Bolsa Família num programa planetário, que atenda a todos os pobres do mundo. Vamos, eu e você podemos fazer isso juntos."

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