Ricardo Matsukawa/Mercury Concerts
Ricardo Matsukawa/Mercury Concerts

Bon Jovi mostra força de renovação de público em São Paulo

Banda lota o Allianz Parque e provoca um ruído que não se ouviu nem no show do The Who, na quinta

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2017 | 23h11

O potencial maior de público do São Paulo Trip até agora, goste ou não do som que eles fazem, pertence ao Bon Jovi. A banda que subiu ao palco com 10 minutos de antecedência na noite deste sábado ao palco do Allianz Parque foi recebido por um estádio cheio e em alta temperatura, com um nível de ruído de fãs que não se ouviu nem no show do Who, banda que estava havia 53 anos devendo um show no Brasil.

Jon Bon Jovi chegou entregando a alma ao público. Depois da entrada com This is  House os Not for Sale e Raise Your Hands, disparou You Give Love a Bad Time e Born To Be My Babe em sequência e coladas uma a outra. Jon comparou o público do Allianz ao do Rock In Rio, onde a banda havia feito o show de sexta, e disse ser o de São Paulo "muito melhor". Ele deve falar isso em todos os lugares.

A baixa mais sentida é ainda a do guitarrista Richie Sambora, o homem que deu relevância às baladas românticas da banda desde sua origem. Logo na terceira música, Jon fez questão de abraçar Phil X, o guitarrista efetivado no lugar de Sambora. Mas outra parte da alma da banda estava lá, intacto. O baterista Tico Torres, filho de cubanos, tem um papel fundamental ali, o de colocar tudo no chão, com muito peso de caixa e de bumbo. Sua bateria poderia se reduzir a essas duas peças. E um prato. Torres é um gigante. 

A plateia também era bastante heterogênea. O Bon Jovi, ao contrário de outras bandas do festival, como o Def Leppard, renova seu público a cada álbum. Havia claramente duas gerações pela pista, a de quarentões e seus filhos de 15 ou 16 anos. Sucessos mais recentes que entraram para seu repertório definitivo, como Because We Can,  lançada na era de mais otimismo com o governo Obama, virou um hit de ser cantado com o público de mãos para cima. Haver a Nice Day é outra desse lote.

E tudo parece uma preparação para Bed Roses. A grande balada dos anos 80 faz as 45 mil pessoas acenderem as luzes de seus celulares e cantarem cada verso. Bon Jovi convida uma fã da plateia e a coloca no palco com ele por toda a música. Ela chora, ele finge que vai beija la e a encenação faz outras fãs se emocionarem. Its My Life entra em sequência imediata e reverte as sensações. A plateia agora pula abraçada, dando a impressão que ninguém fica parado.

Jon Bongiovi, esse é seu nome de batismo, não parece ter visto o tempo passar, e seu domínio de público e baseado apenas em um carisma natural, sem um grau de encenação. Ele segue com Bad Medicine (como faz falta a guitarra de Sambora aqui), Keep The Faith, Roller Coaster, Wanted Dead or Alive. Uma noite para se divertir, sem querer a tal profundidade do rock and roll.

 

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