Blur volta com álbum "marroquino"

O Britpop não morreu. Apenas escondeu-se por um tempo, tirou umas férias no Marrocos e aproveitou para trair a elegância musical britânica com o Gorillaz, uma espécie de homem-primata-capitalista-selvagem que se tornou muito maior do que todo mundo imaginava. Inclusive eles.O Blur, expoente máximo do estilo que consagrou o novo pop britânico - ao lado dos velhos inimigos do Oasis -, está de volta com seu sétimo álbum, Think Tank. Em entrevista exclusiva ao JT, o baterista Dave Rowntree conta que se lembra dos shows no Brasil ("pouco, bem pouco") e como foi gravar um disco de rock sem o próprio guitarrista. É isso mesmo: Graham Coxon, membro original e um dos mais criativos instrumentistas do rock atual, foi colocado de escanteio devido a problemas com álcool e brigas com o vocalista Damon Albarn.Damon, aliás, foi o responsável pela idéia de gravar parte do disco novo em Marrakesh, no Marrocos. "Ficamos um mês lá e isso teve um grande efeito no clima do disco. Crescemos muito como pessoas e como artistas, porque sabíamos que seria arriscado fazer um disco ´marroquino´. As críticas seriam muito fáceis, por isso compusemos quase 40 músicas", afirma.Mas se Graham saiu da banda, quem tocou guitarra? "Se você quer saber como Graham está, deve falar com ele", responde, meio mal-humorado. "Ele nunca deixou de ser o guitarrista do Blur, apenas não gravou este disco. Graham não está tocando conosco agora, mas as portas não estão fechadas. Não há um novo guitarrista, ele sempre foi e sempre será o guitarrista do Blur e um de meus melhores amigos. Simon Tong (ex-Verve) e outros cinco músicos vão tocar ao vivo para simular os sons do disco", antecipa o baterista. Apesar do clima de amizade, essa história está mal contada. Quando o Blur anunciou que gravaria o disco no Marrocos, Graham convocou uma coletiva para dizer que não sabia de nada. O guitarrista, porém, chegou a gravar trechos da pré-produção em Londres e depois, já na Inglaterra, gravou a faixa Battery in Your Leg. Nesse meio tempo, Damon Albarn demitiu e readmitiu Graham pela imprensa algumas vezes.O baterista se lembra pouco dos shows de 1999 no Brasil, um no Rio, outro em São Paulo. "Nos divertimos muito por aí e queremos voltar, sem dúvida. Não há nada planejado, mas gostaria que fosse ainda este ano." Sobre música brasileira, o baterista desconversa. "Esqueci que ia conversar com um jornalista brasileiro, por isso não estudei melhor os discos que comprei por aí."Disco no Iraque - Sempre polêmico, Damon afirmou que a banda gravaria o próximo disco no Iraque. Rowntree dá risadas. "Foi uma grande mentira dele, só para atrair a atenção da mídia." Mas e sobre a espaçonave européia que estaria levando uma música do Blur para Marte? "Isso é verdade. A Beagle 2 deve pousar lá em breve, levando uma canção nossa também batizada de Beagle 2. É apenas uma seqüência com nove notas musicais, como o som de um telefone celular, apenas para testar os sistemas no momento em que a nave pousar."Lembrando o início da década de 1990, Rowntree confessou ter errado ao dizer que o Britpop era apenas uma invenção da mídia. "Na Inglaterra, o bom rock underground sempre conviveu com a música ´Bubblegum´ (chiclete), que tocava muito no rádio. Houve apenas uma inversão durante aquele tempo. Na época, tentei resistir e me neguei a acreditar que o Britpop existia, mas hoje vejo que foi uma época de ouro para a música britânica. As bandas, porém, nunca encararam isso como um movimento único, sempre achamos que era algo criado pela imprensa para juntar todo mundo na mesma matéria. Ninguém mais fala de Britpop, mas a maioria das bandas ainda está por aí, como Blur, Oasis e Suede." Então há chance de ver algum dia essas três bandas reunidas no mesmo show? "Duvido. Se você conseguir, me compre um ingresso."

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