Bloco reúne craques da persussão

Disposto a apresentar música de qualidade e discutir a validade das cordas dos grandes blocos, que privatizam a avenida durante o carnaval baiano, o bloco afro Malê DeBalê, um dos mais tradicionais de Salvador, convidou um time respeitável de músicos percussionistas de origem africana para desfilar na sexta-feira abrindo a festa da agremiação. A "conexão tribal", como foi batizado o projeto, contará com as participações do angolano Felipe Mukenga, o senegalês Mamour Ba, o americano Daniel Diaz, o baiano Raimundo Sodré e o baiano radicado em São Paulo Dinho Nascimento. Eles serão coordenados pelo Grupo Agbeokuta, um das referências baianas quando se fala de percussão, liderado pelo paulista Antônio Cícero, que há 16 anos mora na Bahia. "Vamos quebrar a mesmisse do carnaval baiano, mostrando ao público worl music de qualidade, tocando jazz, blues, chula, enfim os ritmos de origem africana", disse Cícero, empolgado por ter conseguido reunir os músicos. Este ano, o Malê obteve com a organização do carnaval o direito de iniciar o desfile às 21 horas, ao contrário dos carnavais passados quando a entidade só entrava na avenida de madrugada, privando as pessoas de verem a música e a coreografia do bloco. Dos cerca de 2.500 componentes, 1.200 são dançarinos que levam para a avenida um pouco da cultura africana. Fundado em 1979 no Bairro de Itapuã, o nome do bloco homenageia os negros de origem muçulmana (malês) que promoveram um movimento no século 19 com o objetivo de tomar Salvador e implantar um regime islâmico, insurreição que ficou conhecida como "Revolta dos Malês", implacavelmente reprimida pelo governo. O Malê vai desfilar sem cordas, sempre no circuito Osmar, no centro de Salvador, na sexta-feira com a "conexão tribal" e no domingo, segunda e terça com a sua coreografia normal.

Agencia Estado,

20 de fevereiro de 2001 | 13h43

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