Bloc Party lança o segundo CD, <i>Weekend in the City</i>

Chega às lojas na semana que vem osegundo disco da banda inglesa Bloc Party, Weekend in the City(Warner Music). Poucos grupos das safras recentes do rockcriaram tanta expectativa em torno de seu segundo álbum quanto oBloc Party. O motivo foi um disco de estréia arrasador, SilentAlarm, que tinha referências pós-punks não só familiares (TheFall, Joy Division, Gang of Four) como lisonjeiras, porque osgarotos tocavam bem à beça e seu vocalista, Kele Okereke, inglêsde Liverpool de origem nigeriana, era um dos melhores surgidosna Inglaterra. "Foi um grande hype, tudo aconteceu muito rápido. Nãodemorou para chamarem a gente de os caras mais cool do ReinoUnido, coisas do tipo. Mas, sim, estamos preparados paracríticas negativas. Não é algo do qual eu tenha medo porquefazer música é sempre algo muito desafiador, não há certezasnisso", disse, por telefone, de Londres, o baterista do quarteto Matt Tong, de 25 anos. "Estou orgulhoso do resultado, é issoque me importa mais", disse Tong, que foi o nono baterista afreqüentar o Bloc Party nos tempos de sua formação, o primeiro avingar. Além dele e Kele, a banda tem Russell Lissack (guitarra)e Gordon Moakes (baixo). Weekend in the City foi produzido por Jacknife Lee egravado em um estúdio na Irlanda. "Saímos de Londres para quenão ficássemos distraídos na hora de compor. Londres costuma sermuito envolvente", disse o músico. Essa sensação está descritana primeira música do novo disco, Song for Clay (DisappearHere), na qual Kele canta: "O leste de Londres é umvampiro/Suga a diversão do fundo de mim." Tong diz que suas primeiras influências eram a oldschool do hip-hop e também do funk, o que explica um pouco o somdistinto do Bloc Party na cozinha. "Jazz eu não curtia muito,bateristas de jazz costumam ser muito comprometidos", disse. O álbum também chega com algum barulho comportamental,já que, há alguns dias, em entrevista a Craig McLean, do jornalinglês The Guardian, o vocalista Kele assumiu publicamente suahomossexualidade e contou que duas das canções realmente fazemreferência direta a isso: I Still Remember e Kreuzberg. Amaior parte das 11 faixas foi composta por Kele, e os outrosmúsicos contribuíram com partes de guitarra, bateria, baixo. "Não falei sobre isso em entrevistas quando lancei oprimeiro disco porque não era uma coisa que estivesse refletidana música. Não falei sobre raça pela mesma razão", disse Kele.Risco Mas a situação mudou, já que suas canções agora falamsobre encontros de garotos com garotos. "Acho que tinha de fazerisso. No primeiro álbum, não achei que era essencial. Não queriafalar sobre isso também de um jeito sensacionalista, de tablóide Se não estava nas canções, porque as pessoas teriam de saber?Mas, sim, há canções neste disco sobre desejo, relações." Suadecisão também se deveu à sensação, acrescentou, de que poderiaajudar a diminuir a solidão e isolamento de outros garotos arespeito de sua opção sexual. Matt Tong prefere não falar sobre questões íntimas deseu parceiro de banda. Se alguém tem de dizer algo, é o próprio,pensa. Depois de Morrissey, Boy George e outros pioneiros, Keleagora enfrenta o risco do preconceito e da discriminação nopalco, numa turnê internacional que começa no Astoria, deLondres, e os levará a Glasglow, Edimburgo, Austin, Los Angeles,Chicago, Montreal e Boston. "Uma das coisas boas de ter-se tornado conhecido é essa.É maravilhoso ver que milhares de pessoas saíram de casa paraassistir você a tocar", diz Tong. "Não somos particularmentefamosos, ainda posso andar pelas ruas sem ser reconhecido emLondres. Então, só há boas coisas na fama, por enquanto." Weekend in the City, sem julgar as questões íntimas quelevanta, é um disco que vai dividir as opiniões radicalmente. Háquem já o tenha achado infinitamente inferior ao álbum anterior.Tong diz que sua peculiaridade é que cada faixa tem um jeito."Muda o tempo todo." Silent Alarm era mais compacto, este émais multifacetado."O disco tem o som vivo de uma cidade", definiu Kele. A bandanão tem planos de vir ao Brasil tão breve, mas Tong diz quesempre esteve em seus projetos uma visita ao Brasil e àArgentina. É possível ouvir o disco novo inteiro do Bloc Party emsua página no MySpace.

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