ROSS HALFIN/DIVULGAÇÃO
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Black Sabbath traz turnê de despedida para São Paulo

Adeus da banda de Ozzy Osbourne (voz), Tony Iommi (guitarra) e Geezer Butler (baixo) ocorre neste domingo, 4, no estádio do Morumbi

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

03 Dezembro 2016 | 03h00

Quando os sinos tocarem, será pela última vez. A chuva, garante a previsão do tempo segundo o site Climatempo, deve ser real, como se o público presente no estádio do Morumbi, no próximo domingo, 4, estivesse caminhando no terreno da assustadora Mapledurham Watermill, na cidade inglesa de Oxfordshire, cuja imagem figura na primeira capa de disco de 1969. Chuva e sinos introduzem a música que abre o álbum. Música, disco e banda, todos partilham o mesmo nome: Black Sabbath. 

A canção costuma ser a escolhida para abrir as apresentações da trupe formada hoje por Ozzy Osbourne (voz), Tony Iommi (guitarra) e Geezer Butler (baixo) e nessa apresentação paulistana não será diferente. 

Ou melhor, será diferente, mas por outro motivo. Trata-se da última parte da turnê da banda pelo Brasil, naquela que é chamada de The End, “o fim”. O Sabbath, como conhecemos, não existirá mais ao final dessa última volta ao mundo. A idade, a doença de Iommi (que luta contra um câncer linfático), a falta de fôlego de Ozzy. O Sabbath, cuja história começou em 1969, fundou uma nova escola musical, o heavy metal. 

Embora artistas do rock anteriores já houvessem flertado com o peso, ninguém reuniu em um álbum, como aquele Black Sabbath com a capa sombria descrita no início desse testo, tantas características que depois estariam no modus operandi das bandas do gênero surgidas na sequência. 

Nenhum dos três integrantes chegou aos 70 anos e vemos artistas como os Rolling Stones ainda na ativa – é de se surpreender que Keith Richards tenha chegado aos 72 anos depois de tantos abusos (lendários?). Mas o Sabbath não nasceu para ser eterno. Como uma sombra que pairou pela humanidade para sufocar com uma noite escura as flores do movimento hippie, de paz e amor. Na virada para os anos 1970, o verão do amor já havia se tornado um inverno duro. O Sabbath representou a chegada da mudança climática. 

Ao longo de 47 anos de existência – com pausas e trocas de integrantes –, o Sabbath foi uma instituição. Mesmo sem Ozzy Osbourne, carregaram o piano com um punhado de vocalistas até encontrarem Ronnie James Dio, do Rainbow, que morreu em 2010. Com ele nos microfones, o Sabbath se agigantou de novo. Enquanto isso, Ozzy percorria uma carreira que variava entre vocalista de heavy metal e estrela atabalhoada do reality show The Osbournes, da MTV. 

O reencontro entre Iommi, Butler e Osbourne foi comemorado. E, não só partiram para uma turnê de grandes hits, como gravaram um disco, chamado 13, que liderou as paradas norte-americanas – e se trata de um bom álbum do heavy metal que o Sabbath sempre se acostumou a fazer, sem invenções. 

A ideia era que, para a turnê The End, mais um disco viesse. Foi impossível e a turnê se realizará com um repertório baseado nos sucessos da trupe. Depois de shows em Porto Alegre (28 de novembro) e Curitiba (30/11), a banda passou pelo Rio na noite de ontem (2). Em Curitiba, o repertório foi contido: 13 canções, sendo 12 delas do quarteto de discos clássicos e definidores: Black Sabbath (1969), Paranoid (1970) e Master of Reality (1971) e Vol. 4 (1972). A única exceção é Dirty Women, de Technical Ecstasy (1976). 

Ozzy, Iommi e Butler, nessa longa caminhada de despedida pelo mundo, querem mais do que dizer adeus. A ideia é celebrar aquilo que transformou o Sabbath em uma instituição enquanto ainda podem. Os sinos soarão em São Paulo mais uma vez. Uma última vez. 

 

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