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Black Eyed Peas vem ao Rock in Rio e a São Paulo com novo álbum na bagagem

'Masters of The Sun Vol. 1' é uma clara tentativa de se reaproximar das origens – o hip-hop sem Fergie fortemente inclinado ao boom-bap; grupo toca no Palco Mundo no dia 5 de outubro

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2019 | 19h40

Se Drake é o principal nome do Rock in Rio 2019 (levantando assim a pergunta: “O festival está preparado para as grandes estrelas do hip-hop?”), outro nome na programação deve agradar aos fãs do gênero. O Black Eyed Peas volta ao Brasil depois de oito anos com um disco novo na bagagem, Masters of The Sun Vol. 1, uma clara tentativa de se reaproximar das origens – o hip-hop sem Fergie fortemente inclinado ao boom-bap, beat predominante nos anos 1990.

Mas uma equipe que vendeu mais de 75 milhões de discos sabe o que faz, e o Black Eyed Peas promete um show agitado com seus maiores sucessos, de My Humps a I Gotta Feeling, tanto no palco do Rock in Rio (no sábado, 5) quanto em São Paulo, no Auditório Ibirapuera, no próximo dia 4, como parte do festival Itaipava de Som a Sol. Ainda há ingressos disponíveis para as duas datas.

“Anitta me perguntou: vocês vão cantar My Hips Don’t Lie? Eu disse que provavelmente não”, afirmou will.i.am, rapper e produtor dos Peas, à reportagem. “Ela respondeu: ‘Se vocês não cantarem essa, vamos ter um problema’. Nós nunca tocamos essa canção, talvez faça 12 anos que não tocamos. Mas é um dos maiores sucessos no Brasil. Então vamos tocar porque ela pediu”, contou, aos risos. 

O produtor e MC explicou que para shows como o do Rock in Rio o grupo tende a tocar os sucessos que as pessoas querem ouvir e não apenas o que eles gostariam de apresentar. “As pessoas gostam de sentir a nostalgia e voltar para o tempo em que conheceram nossa música”, completou Taboo, outro membro do grupo.

A cantora brasileira também sobe ao palco do festival no mesmo dia, e existe uma expectativa de que ela faça uma participação no show do trio (Fergie já não faz parte do grupo, que alterna cantoras no lugar dela nas novas gravações). Uma música conjunta, já gravada, também deve ser lançada. “É explosiva”, diz will.i.am. “Durante o processo, ficamos amigos (nós e Anitta). Às vezes, quando colaboramos com outros artistas, é legal, mas às vezes fazemos um amigo, e essa foi assim.”

Apesar de o grupo ter ficado em estado de “repouso” por quase oito anos, os três artistas (o filipino apl.de.ap completa a escalação) não pararam com outros projetos e continuaram engajados no mundo artístico e filantrópico de que sempre fizeram parte. “Então não existe um sentimento de que vamos apenas retomar de onde paramos”, explica o rapper e produtor. “Esse é um pensamento perigoso de se ter. Precisávamos começar de novo, sabíamos que já não estávamos no topo da montanha.”

Masters of The Sun reúne grandes nomes históricos do hip-hop, como Nas e Phife Dawg (do A Tribe Called Quest, morto em 2016), e recebeu resenhas mistas na imprensa americana, mas com boa parte dos críticos reconhecendo os esforços do trio em tentar equilibrar as raízes originais do hip-hop com o som ligado ao pop e ao EDM que os transformou em superestrelas.

“Crescemos inspirados por grupos como Boogie Down Productions e A Tribe Called Quest, e artistas como Bob Marley, pessoas que começavam conversas, mas também faziam as pessoas se sentirem bem”, explica Taboo. “Nós sabemos fazer as pessoas dançar, mas também queremos conversar.”

Fãs de MPB (de Sérgio Mendes a Seu Jorge), o grupo guarda lembranças positivas do Brasil: foram 20 shows no País até agora. Os dois próximos estão aí.

Hip-hop e funk ganham espaço no Rock in Rio

Com atraso, o Rock in Rio começa nesta edição a abrir espaço para o hip-hop e para o funk nos palcos principais do festival. Além dos shows de Drake, Anitta e Black Eyed Peas no Palco Mundo, outras apresentações desses gêneros ocorrem no Palco Sunset e nos novos Espaço Favela e Palco Supernova. 

São nomes mais conhecidos, como Mano Brown, Edi Rock e Emicida e artistas mais jovens como Baco Exu do Blues e Kevinho. A lista ainda é tímida se comparada à das apresentações de pop, rock e EDM – eletronic dance music –, que ganhou um novo palco, maior – mas as adições já são um ponto positivo da curadoria do Rock in Rio neste ano.


 

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