Björk, impecável, festeja 10 anos de carreira

Os dez anos de carreira-solo de Björk ganham uma embalagem de luxo na atual turnê mundial da cantora. A islandesa apresentou-se ontem no Radio City Music Hall, em Nova York, acompanhada de uma orquestra de 54 músicos, um coral de 11 mulheres da Groenlândia, além da harpista Zeena Parkins eda dupla de música eletrônica Matmos. O resultado é impecável e emocionante.Na última vez em que Björk fez um grande show na cidade, em 1998, seu público eram os clubbers e os freqüentadores de raves e seurepertório baseava-se mais em hits dançantes com base eletrônica, apesar da presença de um quarteto de cordas no palco. A Björkpós-Oscar pode se dar ao luxo de montar uma produção digna de ópera, com figurino de alta-costura, e tem a capacidade devender todos os ingressos da mais tradicional casa deespetáculos da cidade em pouco minutos. De Metallica a Portishead, passando por Smashing Pumpkins,vários artistas já experimentaram colocar orquestras inteiras emseus shows, mas Björk conseguiu o resultado mais original jávisto no pop. Várias de suas músicas foram criadas com arranjosnada convencionais de cordas (boa parte deles escritos pelobrasileiro Eumir Deodato), o que torna a presença de umaorquestra completa um casamento natural.Mas Björk, é claro, vaialém: nenhum trecho é óbvio ou gratuito e tudo é brilhantementemais grandioso do que em seus discos. Apesar de criar uma paredesonora, é possível ouvir claramente cada detalhe incluído nosarranjos.Com o coral, também é possível perceber o poder criativo daartista. As intervenções das cantoras nas músicas parecem tersido concebidas como samples de um coral aplicados sobre osarranjos. Björk parece ver as 11 mulheres da Groenlândia como uminstrumento a ser explorado, e tira o máximo de proveito dele.Vestidas em roupas tradicionais do lugar, elas também sãocolírio com sua dança.Parkins, uma das mais aclamadas harpistas do mundo, dá uma novadimensão aos detalhes das músicas do novo disco de Björk,Vespertine, e ainda toca acordeão e um órgão de época. Adupla Matmos contribui com beats minimalistas diferentes de tudoo que já foi usado por um artista do mainstream. E ainda há Björk no palco. Uma Björk claramente realizada por contar com os arranjos de seus sonhos e de estarem um teatro com acústica perfeita (toda a turnê está usandocasas de óperas ou espaços similares). Com um potencial vocalcada vez mais treinado, ela também mostra a felicidade atual emdancinhas e corridas pelo palco que levam o público ao delírio.Até a saia de plumas vermelhas, com guisos nas pontas, vira umaespécie de instrumento extra, enquanto também serve de brinquedopara a expressão corporal dela.

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