Biscoito Fino relança obra de Mario Adnet

Dois dos herdeiros diretos da música de Tom Jobim estão com suas obras sendo relançadas pela gravadora carioca Biscoito Fino. O violonista e arranjador Mario Adnet tem seus Pedra Bonita e Para Gershwin & Jobim de volta às prateleiras, assim como Trilhas Brasileiras, do pianista e Alberto Rosenblit. Adnet e Rosenblit têm em comum a utilização, em suas composições e gravações, de referências jobinianas e do universo da bossa-nova, recriadas com inventividade. Os dois chegaram até a gravar um disco juntos em 1980, Alberto Rosenblit & Mario Adnet, disco de estréia de Adnet. Em Pedra Bonita, lançado originalmente em 1995, Adnet fez uma releitura do choro Enviesado, parceria da dupla já gravado no disco de estréia. Um chorinho despretencioso no início, vai crescendo e ganha contornos e harmonias jobinianas quando, ao violão de Adnet, se une o cello de Jaques Morelenbaum. A canção serve como uma ótima introdução do trabalho do violonista, marcada por esta mistura de estilos, sempre de forma elegante. Além de Morelenbaum, o disco conta com participações de Joyce em Vocês querem ouvir jazz, Lisa Ono em Angra, Ivan Lins em Pálida, todas composições de Adnet. O próprio Tom Jobim participa da faixa Maracangalha, de Dorival Caymmi, ao piano. A participação de Jobim no disco teve o dedo da irmã de Mário, Maúcha. No início dos anos 80, ela levou uma fita cassete com um arranjo feito por Adnet para Maracangalha para Nova York e entregou para Jobim. Ele gostou tanto do arranjo que acabou incorporando a canção em seus shows e três anos depois Tom gravou a música no disco de Adnet e também em seu último trabalho, Antonio Brasileiro. No samba Geraldofla, homenagem ao craque Geraldo, do Flamengo, Adnet reúne a voz de Lobão e o sax de Paulo Moura com resultado poético. A influência de Jobim também está presente em Para Gershwin e Jobim, lançado originalmente em 2000. Neste trabalho, Adnet mergulha mais nas harmonias do cancioneiro norte-americano e do jazz, criando pontos de comunicação com a música brasileira. Da dupla George e Ira Gershwin, Adnet recria I Got Rhythm e Love Is Here to Stay. As canções foram enriquecidas com a cadência da Bossa Nova e com improvisos típicos do Jazz. De Jobim, Adnet regravou Desafinado, parceria de Tom com Newton Mendonça, canção símbolo da Bossa Nova e que contribuiu para que Jobim fizesse sucesso no exterior. Adnet explica que Tom Jobim e os irmãos Gershwin possuem semelhanças no fato de ambos terem revolucinado a música popular de seu país, traduzindo a linguagem da música erudita para o popular, misturando a harmonia dos clássicos com o ritmo da música negra. Ao lado de Jobim e os Gershwin, Para Gershwin e Jobim também tem Zequinha de Abreu, em uma versão jazzística de Tico Tico no Fubá, além de composições de Adnet como An American no Samba e Chorojazz onde brinca com o cruzamento dos ritmos americano e brasileiro. Em Trilhas Brasileiras, também relançado pela Biscoito Fino, Alberto Rosenblit mostra a influência de Jobim na produção de música para embalar imagens. Elogiado compositor de trilhas de produções da Rede Globo, como a recente Mad Maria, Rosenblit também é pianista e seu piano está presente nas dez faixas presentes no disco, onde cria orquestrações quase sempre sinfônicas para ritmos brasileiros como choro, samba e bossa. O pianista explica que, em Trilhas Brasileiras, as trilhas são pessoais, reflexo e reflexões de vivências, emoções e paixões. Como não podia deixar de ser, o disco é dedicado a Tom Jobim.

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