Biografia retrata luta de Vadico por crédito em músicas de Noel Rosa

Biografia retrata luta de Vadico por crédito em músicas de Noel Rosa

Principal parceiro do sambista carioca, Vadico foi também arranjador e pianista

Amilton Pinheiro, Especial para o Estado

11 de setembro de 2017 | 03h00

Em 1929, a economia dos Estados Unidos foi assolada pela Grande Depressão enquanto, no Brasil, apesar dos efeitos negativos no preço do café, o meio musical ganhava novos artistas, alguns deles que, por coincidência, iriam se destacar nas terras do Tio Sam, nos anos 1940. Nomes como o de Carmen Miranda, o Bando da Lua e um tal de Oswaldo Gogliano, o Vadico, o melhor parceiro de Noel Rosa, outro que estreou em 1929.

Esse importante pianista, compositor e arranjador, agora é retratado na biografia Pra Que Mentir? Vadico, Noel Rosa e o Samba, de Gonçalo Júnior, editora Noir, que não apenas faz justiça ao compositor que criou sambas memoráveis com o Poeta da Vila, entre eles, Feitio de Oração, Feitiço da Vila, Conversa de Botequim, Pra Que Mentir?.

O grande pianista e arranjador teve uma destacada carreira nos Estados Unidos, quando foi se apresentar, em 1940, acompanhado de Carmen Miranda e do Bando da Lua. Vadico só retornaria ao Brasil, em 1954, em consequência de dois enfartes sofridos lá, que fragilizaram sua saúde até sua morte, ocorrida em 11 de junho de 1962, aos 51 anos.

“Eu sempre planejei biografar alguns grandes compositores, sambistas, e queria muito fazer a do Vadico. Ele foi menosprezado como personagem histórico, nunca lhe deram importância”, explica Gonçalo Júnior.

Descendente de italianos, nascido no Brás, na cidade de São Paulo, em 1910, com uma formação clássica de piano, Vadico se tornaria o melhor parceiro de Noel Rosa – depois que foi morar no Rio de Janeiro, em 1930, acompanhando o espetáculo de revista Batuque, Catereté e Maxixe?. “Eles se conheceram provavelmente entre outubro e novembro de 1932, nos estúdios da Odeon, apresentados por Eduardo Souto, que estava com Francisco Alves. O cantor já havia gravado uma música de Vadico, e iria cantar uma canção de Noel Rosa. Noel ficou entusiasmado ao ver Vadico tocando ao piano um samba de sua autoria. Souto, percebendo o seu entusiasmo, propôs a parceria”, revela Gonçalo Júnior.

Em menos de 48 horas depois daquele encontro, surgiu letra (Noel) e música (Vadico) de Feitio de Oração, que seria gravada em 1933 por Francisco Alves. “E, com esse samba, demos início à nossa parceria”, iria contar anos depois Vadico, sobre a parceria que duraria até o final de 1936. Noel Rosa morreria alguns meses depois em decorrência da tuberculose, em 4 de maio do ano seguinte.

Nos Estados Unidos, Vadico começou uma nova carreira, agora como arranjador e pianista. Trabalhou em filmes da Carmen Miranda e da Disney. De volta ao Brasil, em agosto de 1954, ele teve que começar uma nova batalha, agora para que seu nome entrasse nas músicas que fez com Noel. “Vadico descobriu que Noel vendeu alguns sambas sem sua autorização. A peleja ganha a imprensa e ele fica desgastado. Mesmo assim, ele consegue o reconhecimento da autoria e assina arranjos de grandes discos. O que não encontra mais é outro parceiro memorável como Noel Rosa”, conclui Gonçalo Júnior.

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