Biografia deve acender polêmica

E assim, o grande compositor ganhauma biografia. Paulinho da Viola, Sambista e Chorão (132págs., R$ 23,00), escrito pelo jornalista João Máximo, é o maisnovo volume da série Perfis do Rio, da editora Relume Dumará,co-editado pela prefeitura carioca e pela Rioarte. O lançamentoestá previsto para o dia 20, às 20 horas, no Espaço CulturalSérgio Porto (Rua Humaitá, 163).João Máximo é co-autor, com Carlos Didier, do minuciosoNoel Rosa - Uma Biografia, o mais preciso trabalho depesquisa já feito sobre vida e obra de um compositorbrasileiro.Neste Sambista e Chorão, as qualidades dopesquisador estão evidentes, mas são menos pronunciadas. Afinal,como indica o título da série, trata-se de um perfil, não de umtrabalho que esgote em todos os detalhes a personalidade e acriação do protagonista. Além do que, Paulinho continua criandoe fazendo shows. Ao que tudo indica, haverá muito o que contarsobre ele, adiante.Ótimo que, já no título, o autor enfatize as duasvertentes formadoras da obra de Paulinho da Viola - o samba e ochoro. Afinal, o maior compositor vivo de samba é também figurafundamental à sobrevivência do choro - gênero que esteverelegado a segundo plano, considerado "coisa de velho", até osanos 70, quando, no auge do sucesso (e da importância e do poderde influência), Paulinho lançou ao mesmo tempo dois discosdedicados ao choro.Na introdução, João Máximo lembra que Paulinho é oherdeiro (da melhor tradição musical do Rio de Janeiro)convertido em guia. E impõe, já no primeiro momento: "Quem dizque o samba nasceu na Bahia ou é baiano ou é mal informado,quando não as duas coisas. E quem diz que choro é música debranco, ou parte das diferenças raciais para negar em suahistória o lugar que o negro merece, ou ainda não se deu aotrabalho de consultar os vários estudos recentes a que se têmdedicado chorões sem preconceito."E parte daí para mostrar como se formaram esses gênerostão peculiares, de que forma chegaram eles ao futuro compositore foram por ele revistos, transformados - a epígrafe do primeirocapítulo resume, nos versos do samba de Paulinho, o que querdizer o biógrafo: "Quando eu penso no futuro/ Não esqueço o meupassado."Sambista e Chorão situa Paulinho da Viola na ondacriativa dos anos 60, em que surgiu, e termina lembrando otriste episódio do réveillon de 1996, quando, participando deuma homenagem a Tom Jobim, Paulinho recebeu cachê minguado emrelação ao dos outros participantes, Caetano e Gil entre eles.Um livro para acender polêmicas.

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