Billie Holiday conta sua história de música e dor

Passados 47 anos de seu lançamento, será relançada no Brasil a autobiografia da cantora Billie Holiday (1915-1959). Lady Sings the Blues, que foi escrita em 1956, apenas três anos antes da morte de Lady Day, será lançada pela Jorge Zahar Editor no dia 28. O livro já tivera uma tradução brasileira, em 1985, pela Editora Brasiliense. Essa nova edição traz, além de uma discografia completa por Vincent Pelote, do Institute of Jazz Studies da Rutgers University (atualizada até o ano de 2003), uma espécie de "complementação" da história, contando os três últimos e ainda mais trágicos anos da vida da cantora Lady Day, capítulo assinado pelo tradutor, o jornalista e crítico Roberto Mugiatti.Mergulho na vida de uma das mais talentosas cantoras de todos os tempos, a obra é também um passeio pelo lado tenebroso de uma personalidade atormentada. E de uma infelicidade tremenda. "Já me disseram que ninguém canta a palavra ´fome´ como eu. Ou a palavra ´amor´. Talvez seja porque eu me lembre do significado dessas palavras", ela escreveu - ou "ditou" - para seu ghost writer, William Dufty, o amigo que a acompanhou até o fim.A tragédia perseguiu Billie toda a vida. Aos 12 anos, ela perdeu a virgindade com um trompetista de uma big band, "no chão da sala de visitas de minha avó". Prostituiu-se aos 13 anos. Foi presa por prostituição e uso de drogas e condenada, em 27 de maio de 1947, por "receber, esconder, carregar, facilitar o transporte e ocultar drogas". Não teve descanso nem após sua morte. Logo depois que a cantora morreu, seu herdeiro, o ex-marido Louis McKay (de quem já tinha se separado), ligou para a cantora inglesa Annie Ross e disse: "Estou com o casaco de vison da Lady. Ela sempre quis que o casaco fosse seu. Posso deixar por quinhentos dólares...". O energúmeno do McKay não tinha idéia de que estivera casado com uma das maiores artistas do século 20, mas tampouco Billie pareceu ter essa dimensão. O que se depreende da biografia é que ela via a si mesma com um bocado de autocomiseração, autopiedade, pouco amor próprio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.