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Biblioteca britânica comemora os 40 anos do punk

Mostra reúne raridades do Sex Pistols, entre outras bandas, e reafirma a influência do movimento na moda e música

Rubén Serrano, EFE

25 de maio de 2016 | 04h00

LONDRES - A Biblioteca Britânica acaba de abrir suas portas com raridades da banda britânica Sex Pistols e documentos históricos que evidenciam seu caráter polêmico, para comemorar os 40 anos do nascimento do gênero punk e sua grande influência na moda, no design e na música da Grã-Bretanha.

A mostra gratuita Punk 1976-1978 permanecerá aberta até dia 2 de outubro, em Londres, para explorar tanto os primeiros anos desse gênero musical irreverente e frenético na cidade do Big Ben, quanto o impacto que ele teve no grupo liderado pelo vocalista Johnny Rotten. Também faz parte das comemorações pelas quatro décadas do punk uma programação que vai durar o ano todo e inclui shows, filmes, palestras e exposições.

Aclamados como a banda que deu início ao movimento punk na Grã-Bretanha, os Sex Pistols influenciaram o cenário britânico em 1976, se destacando na imprensa pelas manchetes negativas, que marcavam suas aparições em público, e pela forma caótica com que costumavam acabar.

A joia da coroa da exposição é uma cópia de março de 1977 da canção God Save The Queen, que nunca foi distribuída nas lojas, porque a gravadora A&M despediu a banda antes de lançá-la no mercado.

O selo ordenou que fossem destruídas as 25 mil cópias impressas e as poucas que sobreviveram ao expurgo se tornaram peças preciosas para colecionadores.

Outros documentos valiosos para os seguidores dos Sex Pistols são o documento original do acordo com o qual Glen Matlock deixava a banda, por causa de seu péssimo relacionamento com Rotten, e o comunicado aos jornais da gravadora EMI no qual anunciava que encerrava seu relacionamento com o grupo, por causa da “má publicidade que havia gerado”.

A mostra recupera ainda a entrevista dada pelo grupo ao programa Today, em 1976, na qual, após beberem, seus integrantes se comportaram de maneira desenfreada e controvertida, fumando cigarros.

Essa atitude fez com que muitas cidades cancelassem concertos do Sex Pistols, temendo o que os músicos pudessem fazer no palco.

“A percepção negativa dos músicos punk foi uma decorrência das manchetes que os Sex Pistols começaram a gerar”, destacou o agente Andy Linehan, ressaltando que os britânicos dessa época não “gostavam” de “calças rasgadas” nem dos ideais “contra o statu quo”, que caracterizavam esses artistas.

Linehan ressaltou que, entretanto, o punk contribuiu com “aspectos positivos” para a indústria e a cultura da época, por optar pela “inclusão” e permitir que as mulheres tocassem bateria ou guitarra, “algo inusitado naqueles tempos”.

Uma contribuição notável das bandas britânicas, como os Buzzcocks, que ajudou outras formações a fazer o mesmo, foi o fato de passarem a produzir a própria música sem necessidade de depender de um selo discográfico.

Para tanto, no verso dos seus álbuns, eles faziam constar todos os seus gastos, como ocorre com a nova compilação de The Secret Public (1979).

Ao lado de uma coleção de 100 singles punk do Ramones ou The Clash, é apresentada uma seleção de fanzines, histórias criadas pelos seguidores das bandas, que eram vendidas a 0,25 e 0,38 centavos de euro atuais.

“Os fanzines eram feitos em casa, à mão ou à máquina e, depois, impressos e distribuídos nos shows. Muitos dos seus autores acabaram sendo jornalistas”, comentou o agente.

O punk também influenciou o vestuário da época, com as camisetas com motivos sexuais e frases reivindicativas.

São chamativas as camisetas da loja de Londres SEX, cujo proprietário era Malcolm McLaren, empresário dos Sex Pistols, nas quais se veem dois vaqueiros nus que acendem um charuto, enquanto em primeiro plano aparecem em branco e preto os seios de uma mulher.

A Biblioteca Britânica exibe ainda a jaqueta de couro original que o baterista de The Damned, Rat Scabies, comprou em 1976 e vestiu durante a excursão dos Sex Pistols Anarchy in the UK, na qual atuaram como banda de abertura dos shows.

Entre as relíquias que se concentram na capital britânica também se encontram cartazes e entradas do Club Roxy, estabelecimento que só permaneceu aberto por quatro meses no Covent Garden (no coração de Londres), mas serviu para as bandas punk como espaço para apresentarem suas músicas ao lado de grupos de reggae. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

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