Mauro Salviano/Divulgação
Mauro Salviano/Divulgação

Bibi volta aos EUA, de olho em Sinatra

Cantora fez show dedicado a Piaf na quarta em Nova York e prepara novo espetáculo, agora com o repertório do cantor

Tonica Chagas - Especial para o Estado / Nova Iork, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2013 | 18h47

Em meados dos anos 1950, Edith Piaf ganhou mais de 20 minutos de aplausos em Nova York cantando “à l’américaine”, como ela mesma ironizou, por injetar um pouco de jazz na sua música genuinamente francesa. Bibi Ferreira foi aplaudida em pé por três vezes, na noite de quarta, no show com canções de Piaf que está no seu repertório de espetáculos há três décadas e a trouxe a Nova York pela segunda vez este ano. E, ao final de Bibi Sings Piaf, ela mostrou um “trailer” do seu próximo show, que terá só músicas gravadas por Frank Sinatra. O público delirou com Bibi “à americana”, cantando All The Way e The Lady is a Tramp. Bibi Canta Sinatra deve estrear no Brasil em 16 de maio do ano que vem, no Teatro Frei Caneca, em São Paulo.

Em abril, aos 90 anos de idade e 72 de profissão, Bibi cantou pela primeira vez na “capital dos musicais”, realizando finalmente o sonho que tinha desde a adolescência, quando assistia filmes americanos do gênero. Foi ovacionada pelo público composto quase cem por cento de brasileiros que foram ver Bibi in Concert (apresentado no Brasil como Bibi – Histórias e Canções) no Alice Tully Hall, no Lincoln Center.

Na quinta, na apresentação de Bibi Sings Piaf (título para a apresentação americana do show Piaf – A Vida de uma Estrela da Canção) no teatro Town Hall, havia mais americanos na plateia em comparação ao show apresentado sete meses atrás. A razão para isso foi a data: Piaf morreu em 10 de outubro de 1963 e este cinquentenário está sendo celebrado em espetáculos por todo o mundo. Os americanos Devin Moss, advogado, e seu amigo Kevin Sullivan, detetive aposentado, confirmaram terem ido ao espetáculo por esse motivo. “Somos fãs de Piaf e também de música brasileira. Por isso nos interessamos por este show”, disse Moss.

Até então, eles não sabiam nada sobre Bibi e, pelas fotografias no programa do show, não acreditavam que ela pudesse ter “mais do que 60 anos de idade”, segundo calculava Sullivan. Na apresentação no Town Hall, apenas o próprio teatro, fundado em 1921, tinha mais tempo de história que a atriz e diretora brasileira, que completou 91 anos em junho. “Que voz maravilhosa! Quem diria!”, disse Moss, depois de ouvir Bibi interpretar 16 músicas de Piaf, as duas de Sinatra e Gota d’Água (da peça escrita em 1975 por Paulo Pontes, então marido da atriz, com composições de Chico Buarque), pedida pelos brasileiros. “É incrível a extensão da voz dela e sua presença no palco! No ano que vem vou voltar para ouvi-la cantando Sinatra”, prometeu Sullivan.

“Dizem que este show será o primeiro feito por uma mulher interpretando só músicas do Sinatra, mas não sei se há como confirmar”, disse Bibi ao Estado na véspera do show. “Ele é meu cantor predileto. É minha praia! Sinatra e música americana? É comigo!” O entrosamento dela com música popular internacional ocorreu por causa da sua “longa carreira de ‘assistente’ de cinema”. Fluente em inglês por ter sido educada em escola britânica no Rio, ela podia entender os diálogos e as letras das músicas dos filmes americanos que assistia e, mais tarde, lhe deram sucesso no teatro de revista.

Bibi já gravou músicas de Carlos Gardel, sinônimo de tango, assim como da fadista portuguesa Amália Rodrigues. Nilson Raman, seu empresário há mais de 20 anos, conta que sempre quis que ela gravasse um disco interpretando músicas em inglês, o que ele pressente como forma de torná-la mais conhecida internacionalmente. A ideia de fazer um show com músicas que foram cantadas por Frank Sinatra surgiu de brincadeiras da atriz nos bastidores antes de começar seus espetáculos, em torno de um certo temor que o cantor tinha, Bibi também tem e define como “efeito Sinatra”: o de abrir a boca para cantar e a voz não sair. “Tirando o Gardel, acho que não existe na música popular mundial uma voz tão fantástica quanto a do Sinatra”, diz Bibi.

Raman, que está alicerçando seu trabalho de produções em Nova York, acredita que Sinatra seja “a entrada dela de fato nos Estados Unidos”. O show que Bibi fez em abril, com repertório de músicas brasileiras entremeadas com histórias da sua carreira, foi uma forma de apresentar a própria estrela brasileira aos americanos; o show com músicas de Piaf teve o objetivo de mostrar a esse público que ainda a conhece muito pouco o quanto ela tem de alcance fora do Brasil. “Vamos voltar no ano que vem com o Sinatra. E aí a gente vem para fazer turnê”, aposta Raman.

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