livia Bastos/Divulgação
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Beto Guedes faz um balanço de sua carreira e se apresenta em SP

O cantor e compositor mineiro diz que não tem planos de gravar em estúdio e nega que teve problemas com álcool

Amilton Pinheiro, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2017 | 03h00

O cantor e compositor mineiro Beto Guedes, de 65 anos, ainda se aborrece ao ouvir comentários sobre sua insatisfação de falar com a imprensa. “Isso se tornou um dado folclórico em relação a mim. Não existe artista que não queira divulgar seu trabalho, como poderia me recusar a fazer isso?”, contesta ele, do outro lado da linha, nesta entrevista por telefone, exclusiva ao Estado.

O que ele sempre se recusou a fazer foi se submeter ao ritmo massacrante da divulgação de um trabalho. “Quando eu estava na (gravadora) Sony, os artistas eram obrigados a entrar em um processo louco, massacrante. Ficávamos, das 10 h às 20 h, sentados em uma sala, atendendo a imprensa por telefone, com um pequeno intervalo para almoçar. Era obrigado a responder as mesmas perguntas para 40, 50 jornalistas. Não há santo que aguente. Certo dia, me cansei, disse que não ia atender mais ninguém e fui embora”, explica.

O seu último disco, lançado em 2010, foi Outros Clássicos, com canções que já tinham entrado em outros álbuns, repertório do lado B de sua carreira, escolhidas por internautas. Mas por que não gravou um novo trabalho com inéditas? 

“Hoje, é complicado lançar um disco novo. Estou sem gravadora e o mercado ficou difícil. Mas estou pensando em fazer alguma coisa, quem sabe filmar músicas inéditas que tenho”, planeja.

O artista também acha que não vale a pena lançar um disco de forma independente. “Gravar é uma coisa muito cansativa, não é fácil, é como um parto, muito doloroso, ainda mais sendo um com músicas inéditas. Para ficar com ele na prateleira de sua casa, prefiro não fazer”, afirma, categórico.

Mesmo no auge de sua carreira, entre o lançamento do disco A Página do Relâmpago Elétrico, em 1977, e Alma de Borracha, em 1986, o artista raramente saiu de Belo Horizonte para se dedicar mais à carreira. “Eu era um cara que não estava nem aí para nada. Fazia o que achava que era bom para mim, e nunca abri mão do bom gosto. Sempre me senti um intruso no meio da música”, diz, sem parecer arrependido.

Ele, que se apresenta hoje, 18, e amanhã, 19, no Sesc Pinheiros (ingressos esgotados), cantando seus grandes clássicos, entre eles Sol de Primavera e Amor de Índio, nega que o excesso do consumo de álcool e cigarro tenha prejudicado sua voz. “Isso é balela. Ás vezes, atrapalhou um show ou outro. Eu não sou aquele cara que parou a carreira por causa de problemas com álcool ou drogas, como Tim Maia. Nunca mexi com drogas na minha vida, nem maconha ou cocaína. Experimentei uma vez e não gostei. As pessoas acreditam que sou um grande cheirador de pó, o que não é verdade. Mas, o que posso fazer?”, desabafa.

Em relação ao álcool, Beto diz que parou com sua cota de whisky, apenas continua bebendo cerveja. “Bebo quatro latinhas antes de fazer um show.” E qual o balanço que faz da sua carreira? “Tenho orgulho do que fiz, do que realizei como artista, mas minha carreira é incompatível com o patrimônio material que tenho”, confessa, dizendo ainda que gostaria de poder comprar um jatinho. 

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