Gerlan Cidade/T4F
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Bethânia, Zeca e os sambas de todos os bambas

Em show em dupla, cantores apresentam amplo panorama do gênero

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2018 | 01h45

Maria Bethânia e Zeca Pagodinho apresentam um rico panorama da música brasileira, começando nos anos 1930 e chegando a 2018, no show "De Santo Amaro a Xerém" - de Geraldo Pereira ("Falsa baiana") e Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho ("Sonho meu") a Caetano Veloso ("Você não entende nada", "Desde que o samba é samba") e Chico Buarque ("Cotidiano"). O espetáculo chegou ao Rio neste sábado, 21, depois de estrear em Recife e de passar por Salvador.

O repertório é um dos acertos do encontro entre os dois artistas, de atmosfera amorosa do início ao fim. Zeca reverenciou Bethânia, a quem se referiu como "rainha"; a cantora, por sua vez, olhava para o companheiro de palco com admiração, e o chamava de "príncipe encantado". "Já tomei não-sei-quantos Lexotans", ele brincou, gaiato, sobre a responsabilidade para com a parceira. "Essa mulher me mata!"

+++ Zeca Pagodinho distribui ovos de Páscoa em Xerém: 'Mais amor!'

Quando Zeca se emocionou ao lembrar do pai, falecido, ao interpretar a nostálgica "Naquela mesa" (Sérgio Bittencourt), Bethânia a amparou. Quando hesitou ao arriscar um tom acima daquele de costume em "Chão de estrelas" (Silvio Caldas/Orestes Barbosa), ela o impulsionou: "Faz lindo, Zeca! Você canta tudo lindo, pode cantar o que quiser!"

O show percorre os caminhos do samba entre a cidade do Recôncavo onde nasceu Bethânia, em 1946, e o distrito da Baixada Fluminense, na Região Metropolitana do Rio, no qual fez morada Zeca, carioca do subúrbio de 1959. Para tal, foram evocados não só os sucessos da carreira de ambos, mas também duas das mais tradicionais escolas de samba do Rio, a Portela de Zeca e a Mangueira de Bethânia, em odes como "Foi um rio que passou em minha vida" e "Exaltação à Mangueira" e trechos de sambas de enredo.

+++ Juntos, Maria Bethânia e Zeca Pagodinho cantam seus clássicos

O roteiro começa com os dois no palco, segue com um bloco de Zeca sozinho e outro de Bethânia na sequência, antes da reunião final. Dos seus sambas mais populares, Zeca escolheu "Vai vadiar" (Monarco e Ratinho), "Verdade" (Nelson Rufino e Carlinhos Santana), "Não sou mais disso" (Zeca e Jorge Aragão). O terceiro bloco trouxe Bethânia com "Reconvexo" (Caetano Veloso), "Ronda" (Paulo Vanzolini), "Negue" (Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos).

Juntos, eles cantam, já na abertura, "Amaro Xerém", de Caetano, feita para a ocasião, e uma da carreira de cada um, "Deixa a vida me levar" (Sergindo Meriti e Eri do Cais) e "O que é o que é" (Gonzaguinha), estas duas no bis.

A dupla já se conhece há décadas, mas só estreitou os laços há dois anos, numa gravação de "Sonho meu" para um DVD de Zeca. Eles cantam ainda em Belo Horizonte (5/5), São Paulo (18/5) e Brasília (30/5), acompanhados de músicos das duas bandas, tendo à frente Paulão Sete Cordas, violão de Zeca, e Jaime Alem, trazido por Bethânia.

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