Bethânia lança disco de cânticos e orações

Maria Bethânia, em dose dupla, chega às lojas. O CD Cânticos Preces Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu e o DVD Maricotinha ao Vivo mostram faces complementares da cantora. No primeiro, a devoção católica, religião em que foi criada e que segue à brasileira, sem a obrigação da missa dominical, mas plena de contrição. No segundo, além do show que comemorou seus 35 anos de carreira, ela se revela durante um passeio de barco pelo Rio Tejo, em Lisboa, numa entrevista de meia hora, em que aproveita para interpretar canções da terrinha, acompanhada de seu fiel escudeiro há 20 anos, o maestro Jaime Álem.Cânticos Preces Súplicas foi gravado há dois anos e teve venda restrita de 2 mil exemplares em benefício da Igreja de Nossa Senhora da Purificação, matriz da cidade natal de Bethânia. Ela escolheu o repertório entre os cantos e orações que ouviu na infância e entregou os arranjos a Jaime Álem. Ele deu uma roupagem barroca às músicas e textos declamados num tom intimista. Bethânia hesitou em lançá-lo comercialmente e só se decidiu quando assinou contrato com a gravadora Biscoito Fino, para a qual já fez os dois Maricotinha e ainda deve um próximo, que será em homenagem a Vinícius de Moraes."Tive formação católica de berço, com batismo, crisma e primeira comunhão e até hoje guardo essa devoção a Nossa Senhora, em especial a da Purificação. Em Santo Amaro, minhas duas primeiras visitas são à casa de minha mãe e à igreja dedicada a ela", contou Bethânia de Portugal, onde foi lançar o CD e o DVD e ainda receber disco de ouro (30 mil cópias vendidas lá) pelo disco Maricotinha ao Vivo. "Não é um disco religioso nem pretendo abraçar esse repertório, mas o cancioneiro brasileiro está repleto de músicas dedicadas a Nossa Senhora, cada uma mais linda que a outra."Desse cancioneiro, ela escolheu duas Aves Marias, uma composta por Caetano Veloso nos anos 60, quando reflexos do Concílio Vaticano II levaram músicos populares e trazer os temas católicos para sua seara, e outra de Vicente Paiva e Jaime Redondo, sucesso nos anos 50 com Dalva de Oliveira. Nessa, seu timbre grave se opõe ao lírico do original, enquanto o pianista João Carlos Coutinho faz a Ave Maria de Schubert. Na entrevista do DVD, Bethânia explica esse ecletismo. "Sou a caçula de muitos irmãos, cada um com um gosto musical e aproveitei o repertório de todos. Por isso, sempre cantei de tudo", diz ela. "Até hoje me preservo esse direito."Leia mais.

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