Berimbrown lidera cena black mineira

"Belo Horizonte é uma cidade conservadora, e o mineiro, em geral, é um povo desconfiado; na música, não poderia ser diferente". A afirmação é de Mestre Negativo, da banda mineira de black music Berimbrown. O grupo lançou seu primeiro CD em junho e tem aparecido desde então em palcos como o do Palácio Artes.Apesar das muitas casas noturnas e espaços alternativos da cidade, bandas de black music nunca conseguiram - ou quiseram - ultrapassar os limites da periferia. O Berimbrown tem mudado isso. Para Mestre Negativo, a boa aceitação da "zona sul" acontece porque "as pessoas estão procurando música original, de atitude, de consciência social".Criado em 1997, na periferia de Belo Horizonte, o trabalho do Berimbrown ganhou dimensão nacional no ano passado, quando a banda foi finalista da etapa de julho do programa "Ultrasom" da MTV. O grupo promove um cruzamento de referências batizado de congopop -uma miscigenação de fontes sonoras afro-mineiras marcante no trabalho de artistas como Tambolelê, Tizumba, Vander Lee e Titane.Formado por 11 músicos, incluindo três percussionistas e um naipe de metais, a banda surgiu em decorrência do trabalho de resgate das raízes africanas desenvolvido na região por seu líder, Mestre Negativo. A música dançante do grupo é resultado da combinação de manifestações regionais (capoeira, maculelê, tambores de Minas e congado) com ritmos internacionais que bebem em fontes africanas, como o soul, o reggae, o rap e o funk. O grande mérito do Berimbrown é fazer música de forte apelo social ao mesmo tempo em que é extremamente dançante.Para o produtor musical Maurílio Lima, os grupos de periferia - não só de black music - têm como maior dificuldade a falta de abertura na mídia. "Quem não tem gravadora e um esquema de marketing não consegue tocar no rádio e nem encher as casas", afirma. Porém, ele acredita que a saída para grupos como o Berimbrown é estabelecer uma identificação com pessoas de todas as classes. "A falta de horizontes da classe média e as dificuldades estão presentes na vida de todo mundo. Essa função social de questionamento sem agressividade o Berimbrown e outros como o Rappa têm cumprido", diz.Som mecânico - Apesar de não existirem muitas bandas de black music em Belo Horizonte, os adeptos do estilo sempre tiveram a opção de participar dos "bailes black". Paulo da Silva Soares é DJ há 23 anos e vem promovendo bailes na periferia movidos a black music. Conhecido como DJ A Coisa, Paulo afirma que, hoje, "a black music só está viva por causa do hip-hop, que traz a cultura musical do soul e do funk". Ele lembra também que a cultura black não é só de periferia desde o fim da década de 80, quando começou a conquistar adeptos de todas as classes sociais. "Antes, baile black era só para negro. Hoje, o que manda não é a cor da pele, é o gosto musical", diz.Baile da saudade - Um dos bailes mais conhecidos acontece em Venda Nova, na Flashdance. Todos os sábados, desde o final da década de 70, acontece um baile só de soul. Antônio Carlos dos Santos, de 37 anos, freqüentador destes bailes, diz que não perde um. "Eu vou para dançar e todo mundo se liberta", afirma. "Vai muita gente da antiga e muita gente jovem curiosa para conhecer", completa Antônio. Duas vezes por ano este baile é especial. O Baile da Saudade acontece no meio e no final do ano, reunindo grande parte dos fãs de black music de Belo Horizonte. Este ano, ele acontece no próximo dia 12 e, de acordo com Antônio Carlos, sempre lota a casa de shows. O Flashdance fica na R. Padre Pedro Pinto, 6100, em Lagoinha / Venda Nova. O baile começa às 22h e os ingressos custam R$ 3,00. Mais informações pelo telefone 0 _ _ 31 456-2095.

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