Benny Golson brilha ainda mais na maturidade

Poucos músicos de jazz têm uma trajetória tão rica e produtiva como o saxofonista norte-americano Benny Golson. Quem esteve no Free Jazz, de 2001, pôde presenciar um dos maiores músicos do gênero em atividade. Com 75 anos de idade e mais de 50 de carreira, Golson já tocou com feras como Dizzy Gillespie, Lionel Hampton, Art Farmer e Art Blakey, peça fundamental na história do músico.Mesmo com um currículo desses, que inclui ainda composições como "I Remember Clifford", Golson continua procurando novos projetos e desafios; um deles foi atuar como si próprio no novo filme de Steven Spielberg,- O Terminal -, estrelado por Tom Hanks, e que se passa inteiramente no aeroporto JFK, em Nova York. Apesar de ter sido uma ponta, o personagem do saxofonista é peça-chave no filme. Baseado em sua breve experiência na tela grande, Golson lança seu novo CD, Terminal 1, o primeiro pela gravadora Concord.O casamento do sax tenor de Golson e o trompete de Eddie Henderson dá o tom intimista do CD, que conta ainda com o baterista Carl Allen e o baixista Buster Williams. Neste clima, os destaques são a deliciosa balada "Park Avenue Petite" e "Touch Me Lightly". Golson também faz releituras de duas composições lançadas por ele nos anos 50, a aclamada "Killer Joe" e "Blues March", esta gravada por Golson nos tempos em que integrava o Art Blakey and The Jazz Messengers, em 1958. Das nove músicas, três não foram compostas pelo saxofonista, "Sweet George Brown" e "Cherry", ambas dos anos 20, e "In Your own Sweet Way", de Dave Brubeck, com a dobradinha Golson/Henderson em estado de graça. Quem sabe agora que o jazzista terá o seus 15 minutos de fama - o filme O Terminal estréia em setembro por aqui - ele consiga chamar a atenção de milhares de ouvintes desatentos, que ainda acham que o saxofone se resume a John Coltrane e Charlie Parker.

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