Ben Harper faz noite histórica em Salvador

Como esperado, a apresentação de Ben Harper foi de longe a de melhor qualidade do eclético Festival de Verão de Salvador, que terminou na madrugada de domingo. O cantor, guitarrista e compositor americano e o baiano Carlinhos Brown eram os grandes atrativos da última noite do evento, que encerrou sua nona edição com um público de 200 mil, no Parque das Exposições.Com investimento de R$ 6 milhões, 65 mil pessoas, a noite de quinta bateu recorde de público. Para Amaury Pekelman, diretor do evento, o show de Harper foi ´histórico´. O cantor fez uma introdução mais curta do que em São Paulo, com a mesma Ground on Down, e partiu logo para o ataque na segunda música, o reggae With My Two Hands. Afinal, o ambiente estava mais propício ao sacolejo. Manteve no roteiro outros de seus hits dançantes, como Steal My Kisses e Diamonds on the Inside e incluiu dois covers de Bob Marley (War e Get up, Stand up), além de Sexual Healing, de Marvin Gaye.No final, contou com a participação de dançarinas do grupo Muntu, de Chicago, que estavam de passagem por Salvador. Foi um número frenético, com dança afro e muito improviso de percussão, que se seguiu a Burn One down. Harper ainda faria muito barulho do bom, ao encerrar o show com Better Way, mas manteve a sobriedade, não caindo nas roubadas de gringos que querem ´agradar´. Arriscou até a cantar baladas acústicas e se deu bem. Foi um showzaço.Já Carlinhos Brown prometia muito - sobretudo pela participação de dois integrantes do grupo de percussão e dança Stomp e da Eletrocooperativa, núcleo de produção de música eletrônica e hip-hop de Salvador. No entanto, fez um show bem inferior ao que apresentou no ano passado, no mesmo festival. Começou bem, com uma coreografia do Stomp com jovens percussionistas baianos, cantou hits de sua autoria gravados por Marisa Monte, Timbalada e Paralamas, mas descabou para a euforia carnavalesca e aborreceu com muito falatório sobre paz e alegria e até bajulando os patrocinadores.Mais atraçõesAlém de reunir o maior número de atrações internacionais numa só edição (além de Harper vieram o reggaeman judeu Matisyahu e a cantora Gloria Gaynor, remanescente da disco music), o festival teve como novidades um maior número de pistas com música eletrônica. Com isto ficou praticamente impossível encontrar um milímetro de silêncio na ´cidade temática´.Mas a diversidade de atrativos é o trunfo do festival, que com nove conteúdos dentro do grande Parque de Exposições, oferece opções de sobra para parte significativa do público que não está a fim de ver um ou outro show no palco principal. O mesmo ocorreu nos palcos alternativos. Um dos destaques foi o pernambucano Mombojó, que tocou na quinta para um público pequeno, mas de fãs entusiasmados, e fez um show de arrasar no Palco Tendências. Caetano Veloso dando canja no show de Jammil e uma Noites, foi o mais inusitado da noite de sexta-feira, a única sem uma atração internacional.A sensação do momento na música baiana carnavalesca é a banda Motumbá. Liderada por Alexandre Guedes, ex-integrante da Timbalada, a banda tocou num trio elétrico, que circulou menos do que o previsto na passarela, que ficou intransitável na maior parte do tempo. Com ênfase na percussão e utilizando metais e guitarras, a Motumbá é uma mistura de tudo o que já se viu na axé music. Nos melhores momentos, parece a Timbalada dos bons tempos, mas quando apela para o galope se confunde com Asa de Águia, Chiclete com Banana e outras bobagens do gênero. Não tem nada de novo, mas está na moda, badaladíssima, e há uma máquina promocional investindo pesado na banda. O repórter viajou a convite do festival

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.