Belle & Sebastian fazem a noite do Free Jazz em SP

Com um forte esquema de segurança, alguns atropelos de trânsito nas imediações do Jockey e dois shows fracos, no palco New Directions, começou nesta noite em São Paulo o 16º Free Jazz Festival, apenúltima edição com esse nome - a nova legislação antitabagista proíbe a propaganda de cigarros a partir de 2003. Cerca de 600 seguranças fizeram revistas com detetores de metais na entrada do festival, afunilandoa entrada do público. As revistas eram repetidas na 03:16 27/10/01entrada dos quatro palcos que abrigam os diferentes shows do festival. A organização do Free Jazz informou que o número de seguranças deste ano foi o mesmo do ano passado, mas um certo excesso de zelo ficou patente. Para sair e depois regressar do palco New Directions, por exemplo, o espectador era obrigadoa se submeter a três revistas. Coube ao trompetista Marlon Jordan, de 31 anos, abrir a noite, às 19 horas. Ele começou com Foot Prints. Jordan, há um ano, tocava com WyntonMarsalis na Lincoln Center Jazz Orchestra, verdadeiro celeiro de jazzistas talentosos. Mas é um dos discípulos mais hesitantes do conterrâneo famoso.Mostrou insegurança e conceito de gosto duvidoso em alguns standards, comoCaravan e Cherokee, e sua performance foi ofuscada pelo bom desempenho de alguns integrantes de sua banda, como o pianista, Maynard Batiste ? de quem Jordan tocou uma composição original, Talania.A segunda atração da noite, o grupo New Orleans Nightcrawlers, foi uma decepção ainda mais forte. Apesar de uma boa cozinha rítmica, com percussão,caixa e bumbo, tinha uma seção de metais dissonante e com músicos fracos. O destaque era o tubista. Apesar do porte e do peso desproporcional do seu instrumento, o pequeno Matt ´Tubop´ Perrine tocava saltitando ao ritmo da percussão, num espetáculo divertido. Meia hora depois de terminado seu show, ´Tubop´ vendia CDs de sua banda por R$ 30,00 no Village (área de convivênciado festival), ilustrando o aspecto amadorístico desses grupos de parada de New Orleans. Ele ficou um pouco constrangido ao ser abordado pela reportagem.O curador do festival, Zuza Homem de Mello, destacou o show Ouro Negro, de Moacir Santos, no palco Club, que começou às 21 horas, como um dos espetáculos inesquecíveis da história do Free Jazz. "Acho que esse foi o melhor show de músicos brasileiros nestes 16 anos", afirmou Zuza. "Está no mesmo nível do Tributo a Tom Jobim, e esse tipo de espetáculo faz a gente tervontade de ouvir mais a música de gente como Moacir Santos, desconhecida para a maioria".Mains Stage - Os americanos skatistas do Grandaddy abriram a primeira noite do Main Stage. Tentaram com seu rock lo-fi de produção artesanal animar a legião de tietes dos escoceses do Belle & Sebastian, a última e principal atração da noite. Apresentaram, sem muito entusiasmo, as músicas de seuálbum mais recente, The Sophtware Slump. Os islandeses do Sigur Rós subiram ao palco na seqüência. Uma surpresa para os fãs do Belle & Sebastian, a música etérea e difícil do Sigur Rós, com suas poucas e longas notas e guitarra levada no arco, não levantou a platéia ? e nem era essa a intenção da banda, uma atração que se confirmou mais apropriada a palcos mais discretos e platéias mais atenciosas. O público, boa parte dele sentado no chão, limitou-se a respeitar os islandeses, guardando silêncio e forças para a última atração da noite. Mas soube reconhecer a originalidade delicada da banda, que saiu bastante aplaudida ao final do set.Mas a noite era mesmo do Belle & Sebastian. Encerrando a noite do Main Stage, os escoceses subiram ao palco para o show mais simpático da noite, ovacionado do início ao fim. Foi, tanto em São Paulo como no Rio, um dos shows mais concorridos desta edição do Free Jazz. Para espanto de seus integrantes, os ingressos esgotaram-se em apenas dois dias. Desfalcados pela cellista e vocalista Isobel Campbell, que cancelou sua vinda por receio de viajar de avião, o Belle & Sebastian repassou algumas de suas músicas mais conhecidas no Brasil e apresentou o repertório de seu novo single, I´m Waking Up To Us (que a Trama lança por aqui no dia 29). A banda teve fôlego pararepetir em São Paulo, depois do show morno no Rio de Janeiro, o cover de Gal Costa cantando Baby, de Caetano Veloso, num português mais que satisfatório e arranjo nada inovador. Arriscaram e, conquista fácil, empolgaram a platéia. Sem mostrar desenvoltura para grandes shows, o Belle & Sebastian apresentou-se da maneira como desejavam seus fãs.Balanço - No início da noite desta sexta-feira, ainda era possível comprar ingressos para o palco Cream, e para nenhum outro. Para sábado, ainda restam ingressos para Funk Como Le Gusta e Baaba Maal, no palco New Directions. Os shows dos palcos Main Stage, Cream e CLub tiveram lotação máxima. Segundo a assessoria do festival, o número de ingressos vendidospara a noite de sexta ficou por volta de 8 mil. O balanço geral de pessoas que assisitiram aos shows e circularam pelo espaço Village, onde ocorrem jamsessions (hoje animadas pelo músico Guga Stroetner e a banda Heartbrakers), só será divulgado no último dia do festival.

Agencia Estado,

27 de outubro de 2001 | 03h57

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