Beldades refrescam a cena erudita

Lara St. John é uma canadense de 29 anos, alta, loira e que não resiste posar para fotos em situações sensuais. Vive sem os pais em Nova York há cinco anos e está divorciada há um mês. Se não fosse a violinista que é, poderia ser modelo ou estrela da música pop, que teria na conta os mesmos milhões de dólares que ganha à frente de orquestras européias e americanas.Lara não é mais um caso raro no universo erudito. A imagem do músico frio e sisudo, petrificado em meio a uma orquestra, tem dividido um espaço cada vez maior com a de instrumentistas jovens, sorridentes, produzidos e, nem por isso, menos vencedores. Nenhum concerto apresentado nos últimos tempos revelou tanto esta nova cena quanto o que será realizado hoje e sábado, na Sala São Paulo. A violinista Lara St. John, que mostrará obras de Mozart, Max Bruch e Shostakovich, será conduzida pela Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), uma das orquestras brasileiras com o maior número de beldades em atividade.Há quem diga que o reforço no contingente de mulheres bonitas se trata de uma articulação pensada para atrair um público maior aos concertos. Se a observação for feita com relação a alguns países da Europa, procede. Se for em relação ao Brasil, por mais paradoxal que soe, não passa de delírio.Na Alemanha, o selo Deutsche Gramophone, vendo seu caixa afundar no vermelho, apelou e passou a colocar fotos de garotas sexy nas capas de seus discos. A estratégia é para reverter a queda de 20% que as vendas de álbuns clássicos tiveram pelo mundo. Como a idéia é recente, ainda não se sabe se rendeu bons resultados.A própria Lara faz questão de não esconder seus atributos naturais para ser notada. "O visual é importante em qualquer carreira, seja de uma instrumentista pop, seja de uma violinista. Sozinho, isso não significa nada, Mas é claro que ajuda", diz. Quem quiser "conhecê-la" melhor, basta acessar seu site larastjohn.com e clicar no ícone "galery", onde aparecerão duas dúzias de imagens não eróticas, mas bem provocantes.Fenomenal - As musas das partituras no Brasil não são tratadas, ao menos por enquanto, com as mesmas intenções marqueteiras. A Osesp, excelência entre os grupos sinfônicos da América Latina, tem testes e normas rígidas para aceitar um integrante. A concentração que tem de mulheres bonitas, dizem as próprias, não passa de uma feliz coincidência. "Creio que seja uma tendência na música erudita e em outras orquestras", opina Soraia Landim, uma das violinistas mais assediadas da Osesp. Entre os eruditos, ao contrário da feira-livre que as gravadoras de música pop fazem para vender aventureiros como artistas-fenômeno, não há embromação que sustente um músico medíocre. Lara St. John coloca seu perfil de loira fatal em campo mas contabiliza isso apenas como mais um atrativo. "Nada importa mais do que a música", diz, lembrando que tocou seu primeiro violino quando era quase menor do que ele, aos 2 anos de idade.A menina prodígio que a revista The Strad descreve como "algo fenomenal" esteve à frente de uma orquestra aos 5 anos de idade e fez uma turnê pela Europa aos 10. Aos 17, já havia se formado mas foi passar dois anos na Inglaterra para uma especialização na Guildhall Scholl. O violino que usa é uma preciosidade impagável: um legítimo Guadagnini Salabue, feito em 1779. Seu primeiro disco, Bach Works for Violin Solo, em que aparece na capa com um olhar de prazer, como se estivesse sendo despida, vendeu 30 mil cópias, uma vitória por se tratar de um disco com obras de um compositor barroco. Para ela e para as que devem vir em sua cola, a melhor comprovação de que sensualidade e música erudita podem andar de mãos dadas.

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