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Bela revelação do rock alternativo, Band of Horses fala sobre primeiro show no Brasil

Banda norte-americana se apresenta no Lollapalooza e fala sobre suas influências e o sucessor do álbum 'Infinite Arms'

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2012 | 22h00

Conversar com um cara sincero é sempre uma experiência revelatória. Ben Bridwell, o homem de frente do grupo Band of Horses, é um desses sujeitos. Se você pergunta pra ele sobre sua banda anterior, Carissa’s Wierd, ele não alivia: “Rapaz, eu toquei bateria naquele grupo, e toquei bateria terrivelmente. Era péssimo. Aquelas músicas decididamente não fazem parte do repertório do Band of Horses”.

Se você pergunta para o multi-instrumentista Bridwell sobre como foi abrir shows para os famosões do Kings of Leon, e se gosta daquele tipo de música, ele é ainda mais dolorosamente sincero: “Rapaz, Não gosto. Não é uma banda que eu curta, não é um som que se relaciona com o nosso. Como ouvinte, honestamente, não gosto. São artistas mais pop, mais para tocar no rádio. Mas eles são muito populares, abrimos shows deles na Austrália e nos Estados Unidos e foi muito bom, o público era ótimo”.

Ben Bridwell forma o exército Band of Horses com Creighton Barrett (bateria), Tyler Ramsey (guitarra) e Bill Reynolds (baixo). Eles são uma das mais artesanais novidades musicais a desembarcarem no primeiro Lollapalooza Festival, no dia 7 de abril, no Jockey Club de São Paulo (uma noite que terá ainda TV on the Radio, Joan Jett, Cage the Elephant, Foo Fighters e Calvin Harris).

O nome era para ser só Horses, mas aí eles se deram conta de que já houvera uma banda nos anos 1970 com esse nome. Vieram da Carolina do Sul e de Minnesota (mais especificamente de Minneapolis). Barbudinhos e aparentemente desencanados das agendas fashion, como nossos Los Hermanos, trabalham uma lírica meio beat, desregrada, “Para mim, essa garrafa de vinho/é para chapar minha mente/e fazer esquecer as coisas que eu sabia, eu sabia”, diz a canção Evening Kitchen. 

Vivem numa fronteira difusa. No ano passado, disputaram um Grammy na categoria álbum alternativo (perderam para os Black Keys) e também foram enquadrados na categoria country-rock com seu disco Infinite Arms. Mas definitivamente não é uma banda country. Suas baladas fazem uma fusão do folk, do country e do rock, mas com condimentos muito particulares - algo que os coloca na mesma família de um Edward Sharpe & The Magnetics Zeros. “É uma ampliação da visão das gloriosas paisagens americanas”, disse o site Clash.

Você dá três nomes a Bridwell (que julga terem a ver com o som do Band of Horses) e pede para ele escolher apenas um: Simon e Garfunkel, John Denver e Wilco. “Sou grato ao Wilco. Não cresci ouvindo Simon and Garfunkel ou John Denver, mas fui fã do Wilco e sou fã até hoje. Foi uma influência muito importante para a gente.”

Também citam Hüsker Du, The Faces e Replacements como influências de diversas épocas de sua iniciação musical. Eles surgiram em 2004, mas só gravaram o primeiro disco em 2006, Everything all the Time. O álbum saiu pelo selo Sub Pop e logo após ser lançado experimentou a primeira baixa: um dos fundadores do grupo, Mat Brooke, deixou a banda.

As músicas da banda, como The Funeral, têm sido muito utilizadas em comerciais, filmes, séries de TV e até games. “Imagético? Não sei se é. Há bastante resposta de outras mídias para o nosso som, mas eu escrevo o que escrevo, faço isso com emoção e é uma experiência de revelação para mim. Se interessa ao mundo das imagens, acho que é apenas sorte”, afirma o cantor.

Ben Bridwell diz que o seu novo disco, que vai suceder Infinite Arms, está ainda em progresso e não vai ser possível tocar muitas coisas novas no seu primeiro show no Brasil. “Como será nossa primeira vez aí, vamos tocar coisas que as pessoas possam reconhecer, e rezar para que haja alguma coisa nossa que já conheçam. É um pouco mais seguro”, ele brinca.

Diz que sua única familiaridade com a bossa nova vem de uma época em que comprou alguns instrumentos de segunda mão para tocar e descobriu que vinham de um pessoal que tocava bossa e acha que, no início, aquilo pode até ter dado alguma sonoridade parecida, mas “bossa nova não é uma fonte” de inspiração.

Como Chrissie Hynde, Bridwell apoia a organização People for the Ethical Treatment of Animals (Peta), que luta pelo fim da crueldade contra os animais. 

LOLLAPALOOZA BRASIL

Jockey Club. Av. Lineu de Paula Machado, 1.263. 7 e 8/4. R$ 300. Dia 7: ingressos esgotados.

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