Bebel Gilberto sai em turnê pelo Japão

Quase dois anos depois do lançamento dodisco Tanto Tempo, Bebel Gilberto continua sendo a artista brasileira mais em alta nos Estados Unidos. A cantora fez ontemem Nova York um show para 1,2 mil pessoas que teve todos os ingressos esgotados vários dias antes e segue neste fim de semana para o Japão, onde faz a série de apresentações canceladas por conta dos atentados terroristas de setembro. Comum público americano cada vez mais fiel, ela faz pela música brasileira o que apenas a geração original da bossa nova fez.Tanto Tempo foi um marco na música alternativa internacional dos últimos anos. Assim como álbuns recentes de Air e Daft Punk, virou a trilha sonora de restaurantes, lojas, bares, desfiles de moda e clubes descolados de cidades como Nova York, Londres, Paris e Amsterdã. No ano passado, um disco com remixes assinadospor nomes como Kruder & Dorfmeister e Mario Caldato Jr. garantiu o lugar de Bebel também nas pistas de dança.Nos últimos dois anos, a cantora conseguiu, acima de tudo, evoluir como performer e transportar como ninguém a linguagem brasileira/eletrônica para os palcos. De uma banda de inspiração acústica e influência jazzística em 2000, ela passou a comandar uma formação de peso, com direito a guitarra, teclados, percussão, bateria, sopros e um DJ, dominando a mistura de gêneros e aproveitando bem a linguagem dos remixesfeitos para suas músicas.Mais solta no palco e com um domínio muito maior de sua voz, Bebel tem domínio completo sobre o público, que canta junto todas as músicas em inglês e pelo menos os refrões de faixas como Tanto Tempo e Samba da Bênção. O repertório atual também ganhou boas versões de Eu Preciso Dizer que Te Amo, escrita por Bebel e Cazuza nos anos 80 e incluída na coletâneaRed, Hot + Rio, e Águas de Março.Acima de tudo, Bebel se firma como uma artista de música eletrônica que carrega um tempero brasileiro, mas que não se aproveita exclusivamente da nacionalidade. Enquanto nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Marisa Monte vão sempre continuar atraindo americanos que têm curiosidade pelo Brasil ou alguma conexão com o país, ela se torna a primeira artista nacional emmuitos anos a garantir um lugar no mercado onde a procedência é menos importante do que a identificação com a linguagem contemporânea do pop alternativo.

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