Bebel Gilberto lança "Tanto Tempo" no Brasil

De Londres, Bebel Gilberto falou à imprensa brasileira sobre o lançamento do CD Tanto Tempo, que aqui sai pela gravadora Universal Music. Foi, segundo ela, mais divertido ter dado essas entrevistas, pois, apesar das perguntas que acabam se repetindo, elas as respondeu em português. "Já fiz isso em inglês e agora foi ao menos mais familiar", afirma. Na verdade, por trás da observação de Bebel está o fato de Tanto Tempo ter sido lançado em primeira mão na Europa e nos EUA, pelo selo americano Ziriguiboom (distribuído na Europa pelo selo belga Crammed Discs). E o mais importante: o álbum tem dado a ela o reconhecimento merecido. Está com a agenda de shows internacionais preenchida até abril. Não tem previsão de quando fará uma apresentação no Brasil.Intérprete e compositora, a filha de João Gilberto e Miúcha nega rótulos, detesta definições do tipo "uma artista exilada do mercado nacional" ou ainda de que semeia uma linha evolucionista da bossa nova. Bebel procura suas verdades na música. É o que ela diz. "Eu não fiz um CD pensando em conceitos. Não procuro ser "a descoberta da música popular". Fiz o disco com a minha intuição, com as minhas verdades, com a minha sinceridade e amor. Sou simples", informa. "Fico feliz que as pessoas percebem coerência, mas não fiz tudo pensado, isso por causa daquilo, sou impulsiva na música."A impulsividade reuniu em Tanto Tempo uma porção de músicas ternas e graciosas, sinceras - alguns clássicos, como Samba da Bênção (Baden Powell e Vinícius de Morais), mas a maior parte é de sua autoria. Cabe aí um rótulo: são donatianas. "Se existe um exemplo vivo dessa sinceridade que valorizo é João Donato. Ele compõe, sem buscar fórmulas", diz. Pode se dizer que Bebel é discípula de Donato por ter maneira semelhante de encarar a música. E, como ele, Bebel fez mágica com sete notinhas. No CD, ela interpreta Bananeira, dele e de Gil. Donato toca nessa faixa e a co-produziu.Como diz Bebel, ela reuniu no disco uma porção de pessoas próximas, alguns muito amigos, e que deram suas contribuições. "Seria errado da minha parte avaliar a presença de cada um, resumir. Todos são especiais e sou muito sortuda de tê-los próximos", afirma. Nesse sentido, uma figura fundamental na composição sonora de Tanto Tempo foi a do iugoslavo Suba, morto em 1999, e que produziu o CD. "Até hoje, não consigo ver outra pessoa que soubesse tanto sobre essas novas sonoridades como ele", acredita.Por falta de tempo, Bebel teve de recusar um convite. A Orquestra Sinfônica de Amsterdã pediu a ela para acompanhá-la numa apresentação, fazendo novos arranjos sinfônicos para as suas canções. "Fiquei triste, mas continuo tendo muito interesse em expandir horizontes", informa.

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