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Beatmakers tomam conta do mais tradicional karaokê de Tóquio

Evento leva a cabines japonesas jovens e inquietos talentos do Brasil, Austrália, Rússia, Quênia, entre outros países. crooners japoneses fazem a festa

Jotabê Medeiros, Enviado Especial - O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2014 | 11h47

TÓQUIO - No mesmo lugar onde Bill Murray cantou More than This, do Roxy Music, na jornada de melancolia e esperança do filme Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola, 26 músicos de ponta de diversos países, beatmakers e químicos sonoros, fizeram grande a noite desta quarta-feira, 22, em Tóquio.

Eles ocuparam as microcabines ultralotadas dos 11 andares do edifício Karaoke-kan do bairro Shinjuku, o mais famoso point de karaokê de Tóquio. Um prédio magro e isolado num córner, entre duas ruas. Trazidos pelo evento Red Bull Music Academy ao Japão, jovens talentos como o capixaba Silva, do Brasil, e artistas inquietos da Austrália, Rússia, Quênia, Peru e México, entre outros países, tomaram conta das cabines, dividindo o espaco com estrelas do karaokê tradicional japonês – que hoje, com a tecnologia, de tradicional não tem mais nada. A maioria usa equipamentos ultrasofisticados de dancefloor e mixam as batidas de tecno e dubstep entre as intervenções vocais, com grande efeito, como Saitone.

Apesar da habilidade dos estrangeiros (O peruano Deltatron, o australiano Lewis Cancut, o queniano Blinky Bill, entre outros), os inacreditáveis japoneses da arte do karaokê foram as estrelas da noite na cabine Sake Pop, como os performáticos Seiho (que tocou segurando um buque de flores), Tofubeats, Himitsuhakase e os dançarinos do Battle Train Tóquio (uma nova forma de street art que comecou em 2013 e equivale à Dança do Passinho).

Causou furor a apresentação de Himitsuhakase, uma espécie de mistura de Serguei com Raul Seixas, crooner da noite desde que tinha 11 anos (tem 47 agora). Camp, entre o ingênuo e o irônico, levemente sarcástico. “Minha maior inspiração é o cantor britânico Tom Jones”, disse Himitsuhakase, um divertido e gozador bon vivant.

“Vocês não entendem direito nossa paixão pelo karaokê, mas isso aqui tem relação com a liberdade, com a falta de regras. Moodman, por exemplo, nunca toca a mesma música, e ele toca noite após noite”, explicava a jornalista Yuka Yamane.

Os convidados se espremiam nas pequenas cabines e subiam e desciam de andar para andar acompanhando a vibração das cabines. Entre o público, astros da música vibravam com o arrastão sonoro, entre eles o cantor de hip hop americano Zebra Katz, o produtor Mickey de Grand IV, a cantora Deeradorian (que era do Dirty Projectors) e o francês La Mverte. O live stream da Red Bull Music Academy permite que se possa ver. Bob Harris nunca pensou que a doideira iria tão longe.

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