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Beatles por dois grandes violonistas eruditos provam que grupo é um clássico

Discos do jovem Milos Karadagli, de Montenegro, e do sueco Göran Söllscher usam as canções da banda inglesa como se fossem peças de Schubert

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2016 | 04h00

Um erudito compositor japonês, Toru Takemitsu (1930-1996), conhecido autor de trilhas (Ran, de Kurosawa, entre elas), acabou influenciando dois guitarristas clássicos, um da Suécia e outro de Montenegro, a gravar músicas de um quarteto inglês, com certeza o mais famoso do século 20: os Beatles. Essa mistura de nacionalidades prova que os Beatles já viraram há muito os clássicos de nosso tempo, como atesta o violonista Milos Karadagli, premiado músico de Montenegro que, aos 33 anos, faz sucesso com o CD Blackbird, lançado no Brasil pela Universal.

Karadagli não hesita em comparar as canções de Schubert com as dos Beatles. Aliás, foi uma delas, clássica, Yesterday, que o fez decidir entrar no lendário Studio 2 de Abbey Road, onde a banda inglesa gravou a maioria de seus discos, e registrar 14 músicas do conjunto, inclusive Yesterday, que conheceu no conservatório com arranjo de Takemitsu, o mesmo usado pelo sueco Göran Söllscher no primeiro dos dois discos que dedicou aos Beatles, Here, There and Everywhere (1995) – o segundo foi gravado cinco anos depois, From Yesterday to Penny Lane (2000), ambos pela Deutsche Grammophon.

Os discos de Söllscher são mais sofisticados, até mesmo por sua experiência – ele completa 61 anos em dezembro; Karadagli fez 33 em abril. No entanto, o violonista de Montenegro tem a ousadia dos jovens. Convocou para seu disco a popular Tori Amos para cantar She’s Leaving Home, o jazzista Gregory Porter para interpretar Let It Be e Anoushka Shankar para contribuir na lisérgica Lucy in the Sky With Diamonds. E, surpresa: convidou o brasileiro Sérgio Assad para assinar os arranjos. De modo geral, funcionam mais as faixas com solos de Karadagli.

Göran Söllscher, que estreou no disco gravando Bach (em 1979), gosta de inserir transcrições que fez de suas peças ao lado de obras do renascentista inglês John Dowland e dos Beatles em seus recitais. Sabe controlar o trânsito entre eles, reforçando ainda a linhagem barroca de Eleanor Rigby (que ecoa uma composição de Vivaldi), a ousadia romântica de Beethoven em Because (com excertos de uma sonata sua) e as invenções contrapontísticas bachianas em standards dos Beatles.

A segunda compilação de Söllscher, From Yesterday to Penny Lane, contou, inclusive, com a contribuição do compositor erudito cubano Leo Brouwer para fazer os arranjos de um medley com sete canções dos Beatles, provando que música não tem fronteiras. 

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