"Barroco!" estréia no CCBB

Após estrear no ano passado noCentro Cultural Banco do Brasil carioca e enquanto espera omomento de seguir para Manaus, onde participa da 6.ª edição doFestival Amazonas de Ópera, o espetáculo Barroco! tem nestaquinta-feira, para convidados, sua primeira apresentação datemporada de um mês que fará no CCBB de São Paulo. Com aparticipação de cantores brasileiros, o projeto tem a intençãode apresentar ao público peças do repertório operístico barroco,de autores como Henry Purcell, Claudio Monteverdi e GeorgFriederich Handel. Idealizado por Marcelo Fagerlande - consagrado cravistabrasileiro - e Alberto Renault - criador e diretor, entre outros de programas como Muvuca e Brasil Legal, da RedeGlobo, além de ter dirigido no Rio montagens de óperas comoSalomé, de Richard Strauss -, Barroco! conta com a participaçãodas sopranos Edna d´Oliveira e Luanda Siqueira, da meio-sopranoJoana Thomé, do tenor Luciano Botelho e do baixo-barítono LícioBruno. Eles começam a apresentação com dois trechos da ACoroação de Poppea, ópera de 1642 de Monteverdi: a sedução deDamigella, dama da corte, por Valetto, pajem da imperatrizOttavia, mulher de Nero; e o dueto final da ópera, em que Nero ePoppea celebram seu amor. Na seqüência, vem Henry Purcell, um dos grandes nomes dacomposição inglesa, de quem os solistas e os músicos interpretama cena final de Dido e Enéas, de 1689, na qual Dido, rainha deCartago, vê a morte como única alternativa após a partida deEnéas. Também de Purcell, foram escolhidos três trechos de ReiArthur: pastoras divertem Emmeline, noiva do monarca, enquantoela aguarda o retorno de seu amado; Vênus exalta as belezas daInglaterra; e o gênio do frio levanta de seu sono profundo. Das mais de 40 óperas escritas por Haendel, o públicoverá a ária Vivi Tiranno! de Rodelinda, de 1725. Do francêsJoseph Bodin de Boismortier, além da cena final de Don QuichotteChez La Duchesse, de 1743, será também interpretado o trecho, damesma ópera, no qual Sancho exalta o vinho e a comida. Paraencerrar o espetáculo, a Contredanse e a ária Rgne L´Amour, dePygmalion, ópera de 1748. Estados da Alma - Por trás dos números musicais,encenados, segundo Renault, com a intenção de "dar veículo àexpressão do período com a reunião de cor, forma, luz da maneiramais sintética e impactante possível", há um conceito queunifica o espetáculo: a teoria de René Descartes com relação aosestados da alma. Ao publicar Les Passions de L´Âme, aproximadamentena mesma época em que surgia a ópera, Descartes defendia que osestados da alma deveriam ser subdivididos em seis: alegria, amor admiração, tristeza, desejo e ódio. Para os diretores doespetáculo, Descartes tenta demonstrar que as paixões humanaspodem ser disciplinadas e seus efeitos controlados pela razão.Assim, foi essa a "bússola" para roteirizar os sentimentos pormeio da música. A intenção também é mostrar, por mais que estejam sendoapresentados trechos de diversas obras e compositores distintos,uma unidade, segundo Fagerlande, "a organicidade de uma óperabarroca, que foi uma das manifestações mais ricas da músicaencenada em todos os tempos". Ao cravo, Fagerlande comanda um grupo instrumentalcomposto por violinos, viola, violoncelo, oboé, flauta, tiorba epercussão, que divide o palco com os solistas. Ele e Renault játrabalharam juntos em outras oportunidades como em uma montagemdo Orfeu, de Monteverdi - obra de 1607 freqüentemente associadaao surgimento da ópera -, que fez temporada há alguns anos naSala Cecília Meireles, no Rio.

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