Denise Studart
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Barbara Casini e Toninho Horta homenageiam Novelli em disco com convidados, entre eles Chico Buarque

'Viva Eu - As Canções Brasileiras de Novelli' também tem as participações de Edu Lobo, Francis Hime e Danilo Caymmi; compositor foi músico de Elis Regina e Gal Costa

Renato Vieira, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2020 | 05h00

O pernambucano Djair de Barros e Silva, o Novelli, é um instrumentista e compositor muito querido no meio da música brasileira. Parceiro de Chico Buarque e Milton Nascimento, o artista gravou poucos discos próprios e fez carreira acompanhando Elis Regina e Gal Costa. Com uma obra sólida, ele agora é homenageado pela cantora italiana Barbara Casini e por Toninho Horta no disco Viva Eu - As Canções Brasileiras de Novelli.

O álbum é repleto de convidados, amigos de Novelli há décadas. Chico, Danilo Caymmi, Edu Lobo, Francis Hime, Ilessi, Joyce Moreno, Luiz Cláudio Ramos e Nelson Angelo fizeram questão de estar no disco, gravado no Rio de Janeiro em 2019 e agora disponível em plataformas digitais. Com 15 faixas, Viva Eu tem no repertório as músicas mais importantes do compositor e também conta com a presença do músico italiano Giuseppe Fornaroli.

Fã de música brasileira, Barbara já dedicou álbuns inteiros à obra de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Jobim. Cantando em português sem sotaque, a italiana teve a ideia de fazer um disco com músicas de Novelli há 21 anos. 

Ela o conheceu durante uma apresentação de Joyce com Toninho, e ficaram amigos. Um repertório chegou a ser escolhido, mas os outros projetos de Barbara e o tempo em que ela ficou sem vir ao Brasil fizeram com que o projeto fosse adiado.

Quando chegou 2018, Barbara não quis mais esperar. “Falei com Novelli que a gente iria fazer um disco de voz e violão e iria colocar meu dinheiro”, lembra. Novelli sugeriu que o violão ficasse a cargo do velho amigo Toninho. Os dois dividiram um disco com Beto Guedes e Danilo em 1973. Toninho aceitou o convite. “Para mim, foi uma honra”, conta a cantora.

Com o sinal verde de Toninho, Barbara contatou “na cara de pau” artistas que gostaria que estivessem presentes em Viva Eu e marcou três dias de gravação. “Milagrosamente, todos estavam livres naqueles dias”, diz ela, ressaltando que deixou os convidados à vontade para participar da música que desejassem. Chico faz dueto com Barbara no frevo Pelas Ruas do Recife, de Novelli com os irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle. Luiz Cláudio Ramos, maestro da banda de Chico, toca violão na faixa.

Ouça 'Pelas Ruas do Recife'

Ligado às tradições de Pernambuco por conta dos pais, Edu escolheu cantar com Barbara o samba Reis e Rainhas do Maracatu, de Novelli, Milton Nascimento, Nelson Angelo e Fran - um primo de Milton. Joyce participa de Interior/Exterior, uma das poucas canções do compositor com letra dele.

Ouça 'Reis e Rainhas do Maracatu'

O poeta Cacaso foi o principal parceiro de Novelli. Viva Eu tem quatro canções da lavra de ambos. Gravada originalmente por Djavan, Triste Baía da Guanabara é interpretada por Barbara e Nelson. Danilo escolheu colocar voz em Sem Fim e Francis toca piano em Profunda Solidão. Barbara canta sozinha Laranja Azeda, música lançada por Edu em 1980, com o violão de 7 cordas de Fornaroli.

Barbara também se lembrou de Linha de Montagem, de Novelli e Chico. “(O diretor) Renato Tapajós convidou o Chico para fazer a trilha do filme Linha de Montagem, sobre as greves dos metalúrgicos no ABC paulista. O Chico me disse: ‘faz uma música comigo porque você é da terra do Lula’”, recorda Novelli. Ele é do Recife, mas passou parte da infância e adolescência em Garanhuns, onde o ex-presidente, que também foi líder dos metalúrgicos, nasceu.

Ouça 'Linha de Montagem'

Outras músicas que podem ser consideradas clássicos de Novelli que entraram no álbum são Baião do Acordar, regravada por Airto Moreira e Egberto Gismonti, e Toshiro, registrada por Milton no disco Clube da Esquina 2 (1978).

A faixa-título, de Novelli e Wagner Tiso, é descoberta recente de Barbara. Viva Eu só tinha sido gravada uma vez, justamente no álbum que Novelli dividiu com os amigos em 1973, e agora volta à tona em registro com a participação de Ilessi.

Novelli foi diariamente ao estúdio para acompanhar o processo. Aos 75 anos, se diz realizado. “Foi uma gravação muito agradável. Sou um sortudo.” O álbum deve ganhar uma edição brasileira, ainda sem data de lançamento definida.

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