Bandas pop criam músicas para sonetos de Shakespeare

A Royal Shakespeare Company, companhia teatral cujo objetivo é manter viva a obra de William Shakespeare (1564-1616), encomendou a artistas da cena pop contemporânea novas músicas para os famosos sonetos do poeta inglês. Antony Hegarty, cantor da banda californiana Antony and the Johnsons; Liz Fraser, dos Cocteau Twins; e Natalie Merchant, do grupo 10000 Maniacs são alguns dos músicos escolhidos, segundo o jornal The Independent. Hegarty escolheu cinco sonetos que serão ouvidos sobre um fundo de coral de música gospel, entre eles os sonetos número 23 e o número 71. A cantora Natalie Merchant escolheu o soneto 73, no qual o poeta fala sobre sua própria mortalidade e sobre os efeitos do tempo. Logo após a leitura do soneto escolhido por cada um desses artistas - que será feita por um ator do Royal Shakespeare Company -, virá a "resposta musical" correspondente. Segundo Deborah Shaw, diretora do festival Complete Works - no qual se representa atualmente toda a obra shakespeariana -, os artistas têm a liberdade de fazer com os sonetos o que acharem melhor e podem, inclusive, modificá-los. A intérprete será a soprano Anna-Maria Friedmann Os músicos, no entanto, não serão os que interpretarão suas próprias versões. Essa tarefa ficará a cargo da soprano Anna-Maria Friedmann e do tenor John Potter, que serão acompanhados por uma orquestra. Todas essas versões poderão ser ouvidas nos dias 24 e 25 de fevereiro em uma produção intitulada Nothing Like the Sun (Nada Como o Sol), que estreará em Stratford-upon-Avon, cidade natal de Shakespeare, e que depois passará por diversas cidades do país. A idéia original dessa produção é de Gavin Bryars, que trabalhou como músico de jazz antes de colaborar com John Cage e com outros compositores de vanguarda nos Estados Unidos. Ele também participará ativamente do evento. Por outro lado, a Royal Shakespeare Company anunciou que encomendará novas obras de teatro para acrescentar autores como Adriano Shaplin, Roy Williams, Leo Butler e Marina Carr a seu repertório. A idéia é que alguns destes autores trabalhem estreitamente com os atores da companhia e que escrevam para estes, como ocorria nos tempos de Shakespeare, quando os grupos de teatro eram estáveis.

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