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Bandas de identidades volantes são dos anos 1990

Mais da metade dos 40 singles mais vendidos no Reino Unido em 2013 tinham vocalistas convidados

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

21 de janeiro de 2014 | 03h00

Segundo o diário The Guardian, mais da metade dos 40 singles mais vendidos no Reino Unido no ano passado eram músicas com vocalistas convidados. A estratégia jogou holofotes em nomes até então profundamente desconhecidos na música pop, como Sam Smith (que gravou o hit La La La, dos Naughty Boys) e John Newman (que gravou Feel the Love, do Rudimental).

Bandas projetos ou artistas de ponta disseminaram essa estratégia principalmente a partir dos anos 1990, com maior ou menor eficácia nos resultados. Moby, por exemplo, sempre usou grandes cantoras em suas faixas (como Pilar Basso e Reggie Matthews), mas poucas alçaram o estrelato sozinhas.

O Massive Attack também se valeu do mesmo sistema em seus primórdios, com convidados como Sarah Jay, Horace Andy, Shara Nelson e até Tracey Thorn, do Everything but the Girl.

A banda inglesa Incognito foi a que usou com menos personalismo o “feature”. Liderada sempre pelo guitarrista e produtor Jean Paul Maunick, o Bluey, o grupo teve vocalistas como Vanessa Haynes, Nathalie Williams, Carleen Anderson e Tony Momrelle.

“O que aconteceu nos anos 1980 é que as companhias de discos puseram mais ênfase na produção do que no artista. Houve um barroquismo, elementos demais, significado de menos”, disse Bluey ao Estado, há um ano, explicando que o feature foi fruto de um estratagema de rejeição de um modelo.

O trip hop passou a usar convidados especialmente porque derivava do acid jazz da década anterior – que já tinha vocalistas especiais extraordinárias, como o Jazzmatazz. A música eletrônica foi se sofisticando nessa direção, culminando em projetos como o neojazz do De-Phazz, que esteve recentemente no Brasil.

O De-Phazz é principalmente a viagem do cérebro do DJ e produtor alemão Pit Baumgartner, um apaixonado por Ella Fitzgerald. Baumgartner funde jazz com música eletrônica com um time de membros “volantes”, no qual pontifica a cantora Barbara Lahr.

A França adotou sem parcimônia o sistema. O grupo de neobossa Nouvelle Vague, liderado pelo produtor Marc Collin, escalou desde sempre um time de cantoras excepcional (como Karina Zeviani, Helena Noguerra, entre outras). Mas um time mal creditado, o que lhes valeu acusação de sexistas.

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