JOSÉ DE HOLANDA/DIVULGAÇÃO
JOSÉ DE HOLANDA/DIVULGAÇÃO

Bandas brasileiras são bons motivos para chegar mais cedo no Lollapalooza

Recifense Mombojó divulga o novo trabalho e a Baleia, do Rio, encerra turnê nacional no festival em São Paulo

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

20 Março 2015 | 03h00

Há 14 anos na estrada, a banda recifense Mombojó chega ao Lollapalooza com status de clássico contemporâneo do rock independente brasileiro: herdeiros diretos do manguebeat, incluíram na lama do manguezal influências eletrônicas e o indie daquele início de século 21 para lançar cinco álbuns, incluindo o mais recente Alexandre.

Já os cariocas da banda Baleia desembarcam com um misto de agradável novidade (o primeiro álbum, Quebra Azul, é de 2012) e reconhecimento no meio.

As duas bandas tocam, antes, no Oi Futuro Ipanema: Baleia no dia 21/3, às 20h, e Mombojó nos dias 27 e 28/3, às 21h. 

Em comum entre os dois grupos, a vontade de experimentar, a fuga de rótulos fáceis e um gosto eclético que vai do tradicional ao sintético, sem trancos.

A ideia que o Mombojó perseguiu no álbum Alexandre, de 2014 – que teve excelente recepção crítica –, foi a de se desprender de um formato. Já acostumados a compor, ensaiar e ir para o estúdio gravar, a banda se propôs uma nova lógica de trabalho.

“Pensamos: vamos para o estúdio e vamos fazendo ali na hora, mexendo, editando, usando muito mais edição dos computadores”, explica Chiquinho, o cara por trás do teclado e sintetizador da banda. “Queríamos nos desprender do formato de canções a que estávamos acostumados, fazer músicas com menos palavras, mais contínuas, sei lá”, conta, bem-humorado. Deu certo. Ao mirarem na liberdade, acertaram no vigor de um projeto que hoje aparece autêntico e sem deixar de prestar tributos às referências da carreira.

E das duas principais: o baixista Dengue, da Nação Zumbi, é creditado numa das faixas (Cuidado, Perigo!) e a francesa Lætitia Sadier, líder da ousada Stereolab, paixão confessa de Chiquinho e do Mombojó e de gente como o pessoal do Sonic Youth, Pavement e Blur, também teve participação ativa em uma das faixas de Alexandre.

“Apesar de ser um disco que a gente fez desprendido, mais arriscado, de uma forma mais doidona, para se divertir, foi um disco que a crítica considerou mais maduro”, comemora o tecladista sobre o bom sinal. Além de Chiquinho, o Mombojó é Felipe S, Marcelo Machado, Vicente Machado e Missionário José.

Os ventos favoráveis também parecem estar soprando na carreira da banda Baleia, que em 2014 lançou o EP Ao Vivo no Maravilha8, com quatro canções do primeiro álbum e uma versão que mistura Noite de Temporal, de Dorival Caymmi, com Little by Little, do Radiohead.

“A gente amadureceu tanto quanto as músicas”, explica um dos vocalistas da Baleia, Gabriel Vaz – Sofia Vaz, Cairê Rego, David Rosenblit, Felipe Ventura e João Pessanha completam o grupo, com sede no Rio.

“A maior parte de nós nunca tinha de fato feito e lançado um disco, se lançado no mercado musical, então esse já foi um processo de descobrimento”, explica, estendendo as questões também para os shows ao vivo. “A gente faz melhor o que quer fazer, hoje.” Após os shows, a banda pretende se reunir para entrar no processo de composição de um novo disco. “Estamos descobrindo e tentando entender o que vai ser”, diz Vaz.

Baleia abre o palco principal do Lollapalooza às 12h05 de sábado, 28. Mombojó toca às 13 h de domingo, dia 29.

MOMBOJÓ - DANCE (DO DISCO ALEXANDRE)

BALEIA - NOITE DE TEMPORAL / LITTLE BY LITLLE

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