Banda Tortoise mostra música instrumental no Sesc Santana

Alguns críticos os comparam a Steve Reich, Can ou John Cage. Mas é só rock. Ou não é? Certamente, não é só rock. Há elementos de Krautrock, dub, jazz de avant-garde, minimalismo erudito, ambient music, space music, música de filmes e eletrônica.Trata-se do Tortoise, banda de música instrumental de Chicago, que toca nesta terça-feira e na quarta no Sesc Santana. Multiinstrumentistas, eles fazem uma música ainda difícil de se catalogar, sofisticada, autônoma. O nome quer dizer "tartarugas terrestres". Eles são Dan Bitney (baixo, guitarra, percussão, teclados, vibrafone), John McEntire (bateria, sintetizadores, guitarra, teclados), John Herndon (bateria, teclados), Jeff Parker (guitarra, baixo) e Doug McCombs (baixo, pedais).Por que a música do Tortoise é diferente?Bom, primeiro porque ela não vive de picos dramáticos, de crescendos e solos grandiosos. "Às vezes, o drama é superutilizado nas canções, para impressionar uma platéia. Quando optamos por fazer uma música menos dramática, tínhamos em mente que o drama nem sempre é ruidoso", disse John Herndon, falando ao Estado por telefone, ontem, da praia de Boa Viagem, no Recife.Por que o Tortoise faz uma música "cerebral", se isso nunca vai fazê-los vender discos como um Red Hot Chili Peppers?"Gosto dos dois tipos de música, tanto a que desafia mais a razão quanto a que se dirige às emoções. Nossa música às vezes parece dirigir-se mais ao cérebro, às vezes ao corpo. As performances podem ser muito emocionais. Gosto também da música que não tem nada disso, ou que tem algo mais. Como a música de John Coltrane, por exemplo, que podia ser altamente emocional e altamente intelectual ao mesmo tempo. Gosto de ouvir funk, do Miami bass, dos DJs de Chicago. Mas o que gosto de tocar é música de improvisação. Gosto dos Rolling Stones e de Stevie Wonder, mas não tenho o desejo de fazer música como aquela", diz Herndon, enquanto - explica - toma uma água de coco na praia.Herndon tocou com grupos de rock de skatistas, como o Poster Children, antes de, em 1990, formar com John McEntire e Doug McCombs (ex-Eleventh Dream Day) o Tortoise. Outro integrante, Dan Bitney, veio de uma banda de hardcore, o Tar Babies. McEntire também produziu discos, como Emperor Tomato Ketchup, do Stereolab (também produziu Trans Am, Brokebak e The For Carnation).O grupo já veio ao Brasil, numa turnê mais curta, em 1999. Sua intimidade com o País já tem reflexos até nas composições. Em TNT (1998), havia uma música chamada The Suspension Bridge at Iguazu Falls. "É difícil achar um meio de se expressar com uma idéia de movimento e imagem. Aquela canção de fato evoca a melodia do título, mas é um processo difícil." E por que o Tortoise reverencia o velho mestre baiano Tom Zé, com quem já excursionou pelos Estados Unidos?"Quando tocamos com ele em turnê pelos Estados Unidos, foi uma coisa maravilhosa. Se alguém tivesse previsto que um dia eu tocaria com ele, eu não teria acreditado. A chance de tocarmos com ele esta noite em São Paulo, eu diria, é enorme. Mas não vou dizer que vai acontecer, não quero pressioná-lo." Tortoise. Sesc Santana. Ave-nida Luiz Dumont Villares, 579, 6971-8700. Hoje e amanhã, 21 horas. Ingressos R$ 3,50 a R$ 7

Agencia Estado,

05 de setembro de 2006 | 11h19

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