Banda Sinfônica lança disco de obras brasileiras

É bom quando uma parceria musical dá certo. Melhor ainda quando ela cria para a cidade um novo foco de produção, investigativo, audacioso no repertório, atento ao nosso patrimônio cultural. Isto é o mínimo que se pode dizer da associação do maestro Abel Rocha com a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. E do novo disco que eles lançam neste sábado, na Sala São Paulo, Fantasia Amazônica. É o primeiro disco da banda com o maestro Rocha. Em 2004 o grupo lançou Suíte Tropical, com obras de Ronaldo Miranda, Cyro Pereira e Alexandre Travassos. O formato se mantém com Fantasia Amazônica: compositores brasileiros e obras que fazem parte da história do grupo - só este ano, foram 29 encomendas a autores nacionais; ao todo, já são mais de 90 obras ao longo de 16 anos. O disco é aberto pela Fantasia em Três Movimentos em Forma de Choros, peça de 1958 de Villa-Lobos. Se o disco de Gil Jardim trata no final das contas da relação entre o compositor e a França, esta obra já é fruto do período em que ele trabalhou nos Estados Unidos. Naquele momento surgiam as orquestras de sopros - e foi por encomenda do diretor de uma delas (a Wind Symphony de Pittsburgh), interessado na combinação muitas vezes inusitada de instrumentos na obra de Villa, que o compositor escreveu a peça, estreada no Brasil apenas em 1992, pela Banda Sinfônica. O disco continua com Guararavacã, obra de Paulo Von Zuben inspirada em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. A peça venceu o primeiro concurso de composição da banda, em 2000, assim como Canto de Taieira, arranjo de Marcos Mesquita sobre tema folclórico sergipano, venceria em 2001. Duas peças completam o disco. As Quatro Estações do Hermeto, de Miguel Briamonte, e Chacona Amazônica, de Marlos Nobre, que acaba de vencer o prestigiado prêmio Tomas Luis Victoria de composição. Banda Sinfônica do Estado de São Paulo. Sala São Paulo (1.501 lug.). Pça. Júlio Prestes, s/n.º, Centro, 3337-5414, metrô Luz. Sábado, 21h. R$ 10.

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