Banda punk Gang of Four vem pela primeira vez ao Brasil

Os garotos que acham que o punk pop atual é rebelde vão gostar de conhecê-los. Eles são o Gang of Four, banda punk formada em 1977 em Leeds, Inglaterra. O nome Gang of Four, por exemplo, já revela muito de seu desapego às normas: foi tirado de um grupo da política chinesa comunista associado à viúva de Mao Tse-Tung. Influenciaram decisivamente Bloc Party, Kaiser Chiefs, Franz Ferdinand, Plebe Rude, Legião Urbana.Faziam punk rock com ecos do dub do reggae, funk atonal e letras engajadas - eram rotulados de marxistas. "Para o Inferno com a pobreza", cantava seu vocalista, Jon King, nos anos 80. Eles estavam fora de cena desde 1984. Mas, no ano passado, a lenda retornou, revigorando suas bandeiras. E o que é melhor: chegam ao Brasil pela primeira vez, tocando no Via Funchal no dia 6 de setembro (no dia 8, estarão em Florianópolis, no Ilha do Cascaes, e no dia 9, no Chevrolet Hall, em BH).O líder da gangue dos quatro, Andy Gill, de 50 anos, inglês de Manchester, falou ao Estado na sexta-feira, por telefone, sobre a turnê iminente pelo Brasil. "É algo que queríamos há muito tempo. Eu queria ter ido antes, mas não deu tempo. O Gang of Four teve uma história estranha, interrompida", disse Gill, que nunca se afastou da música (produziu o primeiro álbum do Red Hot Chili Peppers).Gill está entusiasmado com a nova fase do GoF. "Muita gente que viu os shows diz que estamos mais fortes, há muito encorajamento", disse. "Se me perguntarem porque as pessoas estão vindo, se pela lenda, curiosidade ou pela música, creio que vêm pela música. Embora tenhamos ficado tanto tempo fora, ficaram os discos. Bandas novas, como Kaiser Chiefs e Bloc Party, usam muitos elementos do Gang of Four. Há bandas que confessam essa influência na Sérvia, na Austrália, na Itália. E os garotos sabem disso, querem ouvir a banda que influenciou seus ídolos".Os velhos "marxistas" avisam: não são nenhum Billy Bragg, mas não abriram mão das convicções socialistas. "A pecha de marxista trouxe muita coisa na bagagem. Nós simpatizamos com o socialismo. Não se trata de fazer canções socialistas. Repartimos um senso comum sobre os problemas do mundo, mas a música não tem pretensão de oferecer a solução para isso".O GoF não se escora só em velhas canções: chegam a bordo de um disco fresco, Return the Gift (2005) e preparam um novo para dezembro. Mas o som é o de sempre: forte e arisco. Dificilmente, por exemplo, vão se ouvir truques de produção. "Gostamos de fazer o fundamental, é uma característica do Gang. Coisas como back-up singers servem para dourar a pílula, são um exercício cosmético. Não é o nosso negócio".

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