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Banda Nine Treasures traz o folk metal da Mongólia

Grupo se apresenta neste final de semana, no Rock in Rio, trazendo uma musicalidade vigorosa e surpreendente

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2019 | 18h58

Eles são da Mongólia, mais precisamente de uma região chamada Mongólia Interior, controlada pela China, e fazem um rock pesado, batizado de folk metal. Há uma série de improbabilidades a quem espera os lugares-comuns de um meio conservador, o metal, mas alguma estranheza só deve existir até os primeiros dois ou três segundos de audição do surpreendente Nine Treasures. O grupo batizado assim para evocar os nove tesouros da Mongólia será uma das atrações da área Rock Street Ásia, um espaço comandado pelo produtor Toy Lima que faz o Rock in Rio valer a pena para quem procura sair dos lugares comuns.

Os shows serão de sexta (27) a domingo (29), e dividirão o palco em dias que terão também atrações como os tambores japoneses do Wadaiko Sho e o grupo folk ucraniano Dakhabrakha. O vocalista e guitarrista Askhan Avagchuud respondeu às perguntas do Estado na tarde de quarta-feira (25). 

Sobre seus primeiros anos na Mongólia, e de como o grupo foi formado, ele ri: “É uma longa história, mas brincamos como crianças normais, sempre correndo com os vizinhos”. E conta: “Eu entrei no rock quando estudava no ensino médio e ouvi pela primeira vez uma fita cassete de bandas americanas, esse foi meu começo.”

O quinteto criado em 2010 lembra a proposta do Sepultura, deixando baixo, guitarra e bateria criarem uma parede sólida para a entrada de instrumentos regionais. Org toca baixo e canta; Ding Kai é baterista; Askhan Avagchuud faz guitarra e vocais; Saina toca balalaica; e Tsog responde pelos sons do morin khuur, um instrumento de duas cordas, tocado por um arco.

Os nove tesouros são materiais celebrados em antigos poemas. Ouro, prata, bronze, ferro, ágata, âmbar, jade, pérola e coral. O primeiro EP saiu em 2015, Galloping White Horse, e, alguns dias depois, veio Live in Beijing, gravado em um show em Pequim, onde são muito conhecidos. Eles evitam assuntos políticos, não fazem críticas ao governo chinês nem entram em assuntos religiosos. A região possui duas religiões principais: a tradicional chinesa e mongol (80%) e o budismo tibetano (12,1%).

Askhan prefere falar de música: “Um dos instrumentos tradicionais que tocamos é chamado morinhuur, parece um violino, é a alma do grupo, e é muito popular”. Ele especifica mais. “É como a balalaica na Rússia. Muitas bandas europeias usam instrumentos tradicionais, e, vendo isso, pensei por que não poderíamos fazer o mesmo com nossas tradições?”

Sobre o metal na China, um mercado imaginado sempre como avassalador por seu tamanho de público em potencial, ele lembra que até os anos 1990 não havia muitas bandas de rock. “O rock não significava um grande movimento, mas sinto que, depois da década de 90, ele começou a surgir com mais força. Hoje já pode se ouvir rock and roll em todos os lugares.” O metal, contudo, uma frente menos popular do que os gêneros alguns tons mais leves, como o hard rock e o punk, não pode ainda ser chamado de febre. “Este verão tivemos dois programas de TV com concursos de rock, mas o metal é sempre pequeno. Temos cerca de 500 bandas na China e poucas delas usam instrumentos como nós, poucas são chamadas de folk metal.”

O Nine Treasures é sua primeira banda. “Eu me mudei em 2010 para Pequim, onde fizemos nosso primeiro show e acabamos gravando três discos. Ainda é difícil saber quantas pessoas estão interessadas em nossa música, mas temos ido bem no YouTube.” Ele reconhece que chega ao Brasil ainda na condição de grupo desconhecido, de um lugar sem tradição com os rocks mais pesados. “No exterior, nossa promoção não é suficiente, talvez teremos mais visibilidade no ano que vem. É a nossa primeira vez na América do Sul e posso dizer que chegamos bem. Conhecemos o Sepultura, dividimos o palco com eles em 2014, em um festival perto de Pequim. Sabemos também do Soulfly, eu os vi na China, mas sei que ninguém no Brasil, exceto o Anderson Silva, os conhece.”

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