Banda mexicana de músicos cegos sonha gravar disco

Enquanto a oportunidade não vem, eles tocam rock, salsa, baladas, cumbias e outros gêneros em festas

17 de outubro de 2010 | 11h18

México, 17 out (EFE) - Os seis integrantes da banda Merino Musical, um grupo de cegos formado em 2001, se esmeram em todas suas atuações em uma das ruas mais transitadas da Cidade do México para, pelo menos duas vezes por semana, atrair a atenção de milhares de transeuntes e tentar ganhar a vida.

 

Os músicos sonham gravar um disco e, enquanto não chega sua aguardada oportunidade, se conformam em ser contratados para tocar em festas e casamentos, "como os músicos profissionais que somos, e não por sermos cegos", disse à Agência Efe Raúl Merino Miranda, líder da banda.

 

Sua intenção é animar as pessoas que transitam pelas ruas Motolinia e Tacuba, no Centro Histórico, em troca de algumas moedas, apesar de também perseguirem se promover e ser contratados para

tocar em eventos sociais e festas privadas.

 

No entanto, seu maior desejo é que "algum dia" chegue uma empresa fonográfica que lhes ofereça a gravação de um disco próprio. "Viemos para deixar que nos conheçam e que as pessoas saibam que podemos animar pequenas ou grandes festas como músicos profissionais", explicou Merino.

 

O líder da banda, que domina vários instrumentos e atualmente toca teclado, não deixa de sonhar com um disco próprio em suas mãos, "porque a música é minha vida, uma maneira de me expressar e o mais importante para mim". Pelo menos duas vezes por semana o grupo brinda curiosos e transeuntes com um amplo repertório, tendo ocasiões em que o público chega a esperá-los uma hora antes das apresentações.

 

"Somos um grupo totalmente independente e muito versátil. Tocamos rock, salsa, baladas, cumbias e outros gêneros. Embora sejam sucessos de outros artistas famosos, também temos canções próprias", explicou. Isaid Méndez é o responsável pelas percussões e especialista em tocar atabaque. O músico explica como cada um chega com seus próprios pés "e carregando cada um seus instrumentos, trompetes e microfones".

 

Para transformar o local em um pequeno palco, os artistas precisam de cerca de 40 minutos por dia, incluindo a passagem de som.

 

A região, localizada na saída da estação de metrô Allende - uma das principais linhas da Cidade do México - é utilizada há 27 anos como cenário para grupos musicais de cegos, lembrou o líder da banda.

 

"Nós estamos desde 2001, mas existem outras três bandas que fazem o mesmo, como uma tradição que começou há quase três décadas", indicou.

 

Embora já haja um público fixo, sua ajuda econômica não é suficiente, por isso os músicos também atuam em troca de uns pesos em lojas e vagões do metrô.

 

"Não é suficiente o dinheiro que conseguimos juntar", por isso os músicos dedicam canções por 10 pesos (US$ 0,80), disse Isaid Méndez, assegurando que canta no transporte público para faturar entre US$

10 e US$ 15 diários.

 

"Após quase nove anos - destacou - alcançamos o reconhecimento das pessoas e, de fato, gente de todas as idades vêm todos os dias, mesmo que seja para nos escutar por um momento".

 

Os próprios músicos distribuem cartões de apresentação com seus telefones de contato para quem queira contratar seus serviços. O músico, de 31 anos, casado e com duas filhas, reconhece que no México os músicos não têm muito futuro, "mas chega a ser mais difícil quando um tem incapacidade diferente". "ão é dada nenhuma oportunidade de trabalho para as pessoas com alguma incapacidade", lamentou.

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