Banda Hibria realiza sonho e abre primeiro show da turnê brasileira do Black Sabbath

Lei municipal de Porto Alegre obriga shows internacionais a escalar uma banda brasileira na abertura

Jotabê Medeiros/ Enviado Especial a Porto Alegre, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2013 | 20h24

Em 1998, durante um show em Cuiabá, a banda gaúcha Hibria contou 4 pessoas na sua plateia. Quinze anos depois, sua sorte mudou radicalmente. Esta noite, em Porto Alegre, o grupo não pode contar, porque havia 30 mil pessoas à sua frente.

O que aconteceu com a banda de heavy metal brasileira que já come grama nos palcos há 17 anos? Nem o vocalista, Iuri Sanson, sabe explicar. O Hibria foi escolhido para abrir o show do Black Sabbath, uma instituição do rock, há 45 anos na estrada. Já tinha aberto, em duas ocasiões, dois shows de Ozzy Osbourne, mas o grupo não sabe dizer se foi o próprio Príncipe das Trevas que os escolheu para a tarefa. "Fomos convidados pela T4F. Se foi através dele, a gente não ficou sabendo", disse Iuri ao Estado, ainda suado da tarefa hercúlea de não decepcionar os fãs do Sabbath.

Ele fotografou com o celular, de cima do palco, um fã com um cartaz que dizia: "É maravilhoso ver minha banda nacional preferida abrir o melhor show do ano!". E exibia orgulhoso a foto. "É sempre uma parada tensa, emocionante", dizia o baixista Ben-Hur.

Declaradamente influenciado por Dio, Iron Maiden, Pantera e, claro, Black Sabbath, o Hibria já fez cinco turnês pelo Japão e abriu para o Metallica em 2011. "Isso ajuda muito na divulgação da banda. Tem muita gente que é aqui de Porto Alegre e não conhece o grupo. Gente bem mais velha traz seus filhos para ver bandas veteranas como o Sabbath, e esses filhos, que talvez não nos conheçam ainda, acabam conhecendo", disse.

Iuri disse que o nome Hibria é um nome próprio que não tem significado aparente, foi escolhido pelo grupo sem intenção manifesta. Eles davam entrevista e corriam para retirar os equipamentos do palco (o seu som começou precário, mas depois os anfitriões parecem ter liberado a amplificação e fizeram um show bem respeitável). O Hibria, na verdade, só conseguiu a proeza de abrir o show do Black Sabbath porque uma lei municipal em Porto Alegre obriga todos os shows internacionais a escalarem uma banda brasileira na abertura, sob pena de pesada multa.

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