Banda Hateen lança novo CD em show no Tom Brasil

Antes mesmo do CD Procedimentos de Emergência - da banda paulistana Hateen - chegar às lojas, os fãs (adolescentes em sua maioria) congestionavam as linhas telefônicas das rádios e da MTV para votar na música e no videoclipe de 1997. A letra de Rodrigo Koala conta (mais) um romance iniciado naquele ano. Sem refrão, faz uma retrospectiva dos momentos e reencontros de um casal. Musicalmente, a balada é pontuada por alguns riffs pesados, que remetem ao rock norte-americano dos anos 90. "Sempre ouvimos Nirvana, Smashing Pumpkins, Green Day e Foo Fighters, além de bandas de hardcore como Face to Face e Millencolin. Eles são nossa referência", conta o vocalista e guitarrista. Autor de 13 das 14 faixas do novo trabalho (Ironia foi escrita pelo baterista Japinha), ele escreve sobre o amor, por meio de experiências pessoais, e procura passar nas canções mensagens positivas, antidrogas. "Nosso público é a molecada que está começando a curtir rock agora. Por causa dela, nos mantemos jovens", afirma Koala. Sobre o rótulo de emocore, o músico diz que a mistura de referências do Hateen ao longo de 12 anos de carreira abriu precedente para várias classificações. "Preferimos ser conhecidos como uma banda de rock que trata de sentimentos", resume. Procedimentos de Emergência é produzido por Rick Bonadio, que já trabalhou com Charlie Brown Jr. e Tihuana. É o quatro disco da carreira do Hateen - sem contar o demo Blind Youth e o EP Feeling like Nick - e marca mudanças significativas para o quarteto. "Assinamos contrato com uma grande gravadora e agora estamos cantando em português. Eu já havia escrito algumas letras com sucesso para o CPM 22 (Um Minuto Para o Fim do Mundo, Irreversível e Não Sei Viver Sem Ter Você) e a banda concordou que nosso idioma é bem melhor para a galera cantar junto com a gente nos shows", diz Koala. A conexão com o CPM 22 vai além da parceria e das semelhanças nas composição e no estilo. O baixista Fernando Sanches e o baterista Japinha tocam nas duas bandas. "Não é complicado administrar porque o Hateen e o CPM22 têm o mesmo produtor e o mesmo escritório. Na gravação do disco, no final do ano passado, conseguimos, apesar da correria, fazer tudo bem feito e quanto aos shows, as agendas não costumam bater. Fazemos, inclusive, muitos shows com o CPM 22", informa o vocalista e letrista. E quando a presença dos músicos é inviável, o Hateen tira da manga dois "curingas": o baixista Sato e o baterista Pedrinho. Chamariz de público É inegável que ter na banda "o baterista dos sonhos" (título concedido pela MTV no ano passado) agrega um valor a mais para o Hateen. "O Japinha, sem dúvida, é bastante assediado pelos fãs porque já é conhecido do grande público. Ele tem uma imagem mais forte do que a do próprio Hateen às vezes. Isso é bom e ruim para a banda. Bom porque quem gosta do CPM 22 acaba se identificando com o nosso som e ruim porque ainda não temos uma infra-estrutura de segurança à altura para oferecer ao Japinha, mas ele lida bem com tudo isso e nós também", afirma o vocalista. Sem egos inflados assombrando os roqueiros, Japinha e Fernando Sanches sobem hoje ao palco do Tom Brasil,ao lado de Rodrigo Koala e do guitarrista Fabrízio Martinelli, para lançar o novo disco. Depois, correm para assumir as baquetas e o baixo, na companhia de Badauí e sua turma. "Estamos com ótimas expectativas para este show. Iremos testar ao vivo nossas músicas inéditas, que correspondem a 85% do set list. Escolhemos alguma coisa também para agradar os antigos fãs", conclui. Rodrigo Koala acredita que, em pouco tempo, ninguém achará que o Hateen é somente "a banda paralela" dos caras do CPM 22.

Agencia Estado,

25 de abril de 2006 | 12h00

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