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Banda Far From Alaska faz rock 'n' roll criativo e original

Grupo é atração do festival Lollapalooza deste ano

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2015 | 18h11

É como se Jack White tocasse guitarra com o pessoal do Queens of the Stone Age e pusesse para cantar uma versão feminina de Trent Reznor, do Nine Inch Nails - guardadas as proporções, tudo isso é sério, e mesmo assim não é só isso. É dessa forma que sai o som do Far From Alaska, banda de Natal (RN) que lançou o primeiro álbum em 2014, modeHuman, e que toca no domingo, dia 29 de março, no Lollapalooza.

O modeHuman esteve em todas as listas de melhores do ano de 2014 e com razão: a mistura da guitarra barulhenta de Rafael Brasil, a pegada eletrônica dos sintetizadores de Cris Botarelli e a voz impressionante de Emmily Barreto fazem do grupo uma das mais gratas e melhores surpresas do rock ’n’ roll brasileiro. Dos últimos anos. Lauro Kirsch (bateria) e Edu Filgueira (baixo) completam o time. Apesar do primeiro disco ser de 2014, a banda já acumula certa experiência: todos os músicos passaram por outros grupos de Natal antes de se juntarem em 2012, participarem da seletiva de bandas novas para tocar no festival Planeta Terra, e fazerem o segundo show da carreira num dos principais palcos de São Paulo.

 

A banda começou com a dupla Cris e Emmily, que faziam parte do Talma&Gadelha, grupo potiguar que tem um pé no pop. Ao Estado, Cris conta que ela e Emmily queriam fazer uma banda para Emmily cantar, e então chamaram amigos para a experiência - um projeto paralelo de todos, despretensioso, “como sempre é em Natal”. Mas neste caso “as coisas aconteceram diferente”, diz Cris.

A composição das 15 faixas do modeHuman foi espontânea. Cris conta que é impossível dizer exatamente a participação de cada um nas composições. “Às vezes alguém traz um riff, às vezes temos uma letra”, explica. Mas a ideia é compor juntos, mesmo, numa espécie de colagem. “É super aleatório e a gente gosta muito que seja assim”, afirma Cris, que, além do sintetizador, também toca lap steel (um guitarra que se toca com um slide) e faz vocais. “É interessante porque deixa mais livre”, explica - e essa liberdade é fator fundamental do som que eles produzem. “Na verdade, sempre fomos muito diferentes musicalmente”, afirma. Como começaram sem um norte predefinido, a direção foi “alguma coisa que agradasse a nós cinco”. O que é obviamente difícil, demanda um processo mais trabalhoso, e o que a banda espera é um resultado que satisfaça a todos de alguma forma. “Acho que isso contribui para nossa experimentação”, comenta.

Em 2012, quando o Far From Alaska abriu o Planeta Terra, uma das bandas convidadas era o Garbage, de Butch Vig, músico e produtor do Nevermind, e Shirley Manson, vocalista escocesa que é o protótipo feminino do rock ’n’ roll. Depois dos shows, as duas bandas se encontraram no hotel, e o FFA deu um álbum de presente. Um tempo depois, Manson postou na página do Garbage no Facebook, dizendo que a faixa Monochrome fez “tanto os meus ouvidos quanto os do meu marido despertarem”. “Eles são realmente demais”, profetizou para sua audiência de um milhão de seguidores. “Who told you it’s easy to be happy?” (Quem te disse que é fácil ser feliz?), canta Emmily Barreto em Monochrome. Claro que não deve ter sido fácil, mas dá para imaginar que essa banda independente que surgiu despretensiosa em Natal está, pelo menos, chegando lá.

ROCK BR NO LOLLA

Banda do Mar

Baleia

Boogarins

Bula

Far From Alaska

Mombojó

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O Terno

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Scalene

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