Guilherme Brito
Guilherme Brito

Banda de Limeira faz financiamento coletivo para lançar disco sustentável

Laranja Oliva promove financiamento coletivo para repor os danos causados pelo disco ao meio ambiente; 'Carta da Terra' aborda importância da harmonia com a natureza

Ricardo Magatti, Especial para O Estado

06 de novembro de 2017 | 18h11

Da relação da música com a natureza, a banda Laranja Oliva, de Limeira, interior de São Paulo, está promovendo financiamento coletivo para lançar Carta da Terra, disco ambientalmente sustentável e que aborda, além da questão da sustentabilidade, a importância da harmonia com o meio ambiente.

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O finaciamento coletivo estará no ar pelo catarse.me/laranjaoliva neste mês de novembro. A ideia é compensar os danos causados ao meio ambiente com a produção do disco por meio de produtos e ações como a confecção de camisetas orgânicas, encarte em papel semente e reflorestamento de algumas áreas de risco na região de Limeira, com a parceira da secretaria de meio ambiente da cidade.

"A ideia da sustentabilidade vem como resposta natural ao cenário que vivemos, numa sociedade de consumo extremo. Associamos nossa felicidade e a ideia de sucesso diretamente com a posse de bens materiais que se descartam numa frequência assustadora. Esse perfil socioeconômico está matando nossa casa e nossas relações interpessoais", explica o vocalista da banda, Sérgio Moreira Jr.

O nome do disco faz referência à declaração de princípios éticos da ONU escrito por representantes de mais de 40 países, de diversas religiões, crenças, raças e idades. Segundo o cantor, Carta da Terra foi agente de mudança para o próprio grupo musical. "A gente está se reinventando musicalmente e socialmente num processo que ainda não acabou, e esperamos que não acabe tão cedo", conta o músico.

O disco, o primeiro com essa proposta sustentável de que se tem notícia na música brasileira e que tem previsão de ser lançado em janeiro, busca provocar sensações que visam referenciar a vigente revolução tecnológica. Plástico será o single.

"A gente está matando nossa casa, destruindo o lar de gerações futuras. Temos alternativas e informação. Além das relações interpessoais, que baseadas no ter e não no ser, criam uma guerra constante entre humanos", diz o músico, que crê que o álbum é um convite à reflexão na maneira como vivemos. "O projeto visa repensar nossa cultura, impulsionar a reeducação ambiental e prezar pela harmonia entre nós todos".

Transições de gêneros e referências musicais. No álbum, a banda, como de costume, passeia por vários ritmos musicais. "Fomos do maracatu ao funk carioca, do rap ao pop", afirma Sérgio. Assim como os ritmos - o primeiro disco, por exemplo, teve soul, funk, groove, samba e poesia -, as referências para a criação do álbum também são diversas.

"Em Treze, uma das faixas do disco, fizemos até uma citação explícita de BNegão. A sonoridade e a temática das letras do último disco da Elza Soares (A mulher do fim do mundo) com certeza nos deram direções interessantes", avalia o cantor.

Carta da Terra é o segundo disco do grupo, que nasceu há seis anos e tem no nome referências à produção agrícola de Limeira. Antes de investir nos trabalhos autorais, a banda, formada por cinco amigos, apresentava somente repertório permeado de covers em festas e eventos. Arroz, Feijão e Mistura, lançado em 2014, é o outro disco da banda.

Ouça Vestida Pra Dançar, um dos singles da Laranja Oliva:

 

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