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Banda de expatriados iranianos tem fim trágico nos EUA

Baixista atirou nos colegas de grupo e depois se matou

O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2013 | 16h09

O rock viveu um dia sangrento numa casa de três pavimentos no rua Maujer, 318, em East Williamsburg, Brooklyn, Nova York. Armado com um rifle, o músico Raefe Ahkhbar matou seus colegas da banda Yellow Dogs – o guitarrista Soroush Farazmand, o cantor Ali Eskandarian e o baterista Arash Farazmand. Depois, se matou com um tiro. Segundo o Wall Street Journal, Ahkhbar fora expulso da banda recentemente e não digeriu bem a coisa.

Originária de Teerã, a banda Yellow Dogs começou a carreira em 2006 (tocavam em estúdios à prova de som e em concertos clandestinos para não serem punidos pelo governo iraniano). “Temos sorte de nunca termos sido apanhados”, disse o baixista, que se apresentava como Koory (provavelmente, o atirador). “Nós não podemos voltar ao Irã”, disse o cantor, conhecido como Obash. “Nossos pais nunca nos viram tocar”.

Definindo-se como pós-punk, dance punk e psicodélica, o Yellow Dogs terminou de maneira trágica hoje. Só uma das vítimas de Akhbar sobreviveu. Eles tinham entre 20 e 30 anos e chegaram a tocar em casas importantes, como o Webster Hall, em Nova York, e o festival South by Southwest (de Austin, Texas).

Martin Greenman, de 63 anos, um reciclador que era vizinho aos rapazes, disse ao New York Times: “Eles estavam sempre juntos e sempre eram amigáveis. Pareciam roqueiros”. Outro vizinho, o eletricista Marcus Durant, de 56 anos, afirmou: “Estavam sempre tocando. Eu me sentava do lado de fora e ficava ouvindo eles. Tocavam coisa muito boa. Era um bando de garotos legais”.

O atirador, segundo a polícia, não parece ter forçado portas. Ele entrou, subiu as escadas, atirou nas vítimas no segundo e no terceiro andares, depois subiu ao terceiro andar e atirou na própria cabeça com o rifle. Uma outra pessoa alvejada por um tiro no braço, de 22 anos, foi levada ao Elmhurst Hospital.

Eles se diziam influenciados por “Rapture, The Kinks, Talking Heads, The Clash, Scott walker, SlowDive, David Bowie, Beatles, Elliott Smith” e outras bandas norte-americanas e inglesas. Os interesses da banda eram “os mesmos velho sexo, drogas e rock-n’-roll”. Yellow Dogs, também nome de um livro de Martin Amis, deixou horrorizados seus fãs no Facebook. "Ainda estou em choque. Não entra na minha cabeça essa tragédia", escreveu Faranak Karimpour.  

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