Bambas do samba lançam CDs

Os sambistas cariocas Zé Luiz do Império, Jurandir da Mangueira e Luís Grande, todos integrantes de uma das mais tradicionais rodas de samba do Rio, o Candongueiro, se apresentam amanhã e quinta no Sesc Pompéia para lançarem seus primeiros discos solos.O lançamento de um CD solo para cada sambista só foi possível graças ao Programa Petrobrás Cultural, no ano passado. A escolha do projeto idealizado por Ilton Mendes, mais conhecido como Ilton do Candongueiro, criador da roda de samba há 15 anos, deve-se ao fato de serem músicas que preservem a memória, além de registrar uma manifestação musical que está fora do circuito comercial do mercado."O samba é a nossa identidade cultural. Não tem como não se identificar, a gente não consegue fazer nada que não tenha samba no meio", afirma Ilton do Candongueiro. E para ele é inconcebível nascer no Rio de Janeiro e não gostar de samba. "Carioca que não gosta de samba só pode ser maluco", diz, aos risos.Zé Luiz do Império, Luís Grande e Jurandir da Mangueira têm suas histórias enlaçadas com o samba há diversos carnavais. Por ter integrado a ala dos compositores do Império Serrano durante anos, Zé Luiz fez do nome da escola o seu sobrenome. Atualmente, o compositor e também funcionário aposentado da Embratel é presidente da Velha Guarda da escola e já teve sambas gravados por Alcione e Fundo de Quintal. O ex-motorista de táxi Luís Grande foi compositor durante anos da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Teve a sua música Maria Rita gravada por João Nogueira e Comunidade Carente, por Zeca Pagodinho. Desde 2003, Luís Grande integra o Trio Calafrio, formado por Barbeirinho do Jacarezinho e Marquinhos Diniz. Jurandir da Mangueira hoje ocupa o lugar na escola do coração que já foi de Cartola, Nelson Cavaquinho e Carlos Cachaça. Jovens estão aderindo cada vez mais a rodas de samba, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, constatam os sambistas. Os ´entendidos´ incomodam-se com o que eles chamam de modismo do gênero. "As pessoas que sempre gostaram de samba querem exclusividade. Eu quero mais é que o Candongueiro fique lotado de jovens", diz Ilton. A média de idade dos freqüentadores da roda de samba hoje é de 22 anos. "É essa nova geração que vai dar continuidade ao samba e que se deram conta, de uns três anos para cá, que o pagode acabou."A expressão pagode, na realidade, foi desvirtuada. Até os anos 1970, uma festa "com comida e bebida, de caráter íntimo", na definição acadêmica do folclorista Câmara Cascudo, era chamada de pagode. E como em qualquer festa boa não podem faltar músicas alegres - aí, então, entra o samba. Os pagodes eram a melhor opção para reunir sambistas que tinham o objetivo de criar canções inéditas, muitas vezes restritas em rádios e nas próprias escolas de samba.Há 15 anos, Ilton e sua mulher Hilda tiveram a idéia de expandir o terreno de sua casa e dar espaço para uma roda de samba. Por lá já passaram Zé Kéti, João Nogueira, D. Ivone Lara, Elton Medeiros, Guilherme de Brito, Jair do Cavaquinho... "Dos sambistas contemporâneos hoje consagrados, só não passaram ainda o Zeca Pagodinho e o Paulinho da Viola, que já disseram ter muita vontade em conhecer a roda, mas não conseguiram arrumar o melhor dia na agenda", conta o fundador e pandeirista, que ainda planeja produzir um CD da roda de samba do Candongueiro.CandongueiroA roda de samba localiza-se na Estrada Velha de Maricá, no bairro de Pendotiba, em Niterói. A cada quinze dias, sempre aos sábados, o grupo de samba que tem o mesmo nome da casa toca para um público que já alcançou a marca de 1 mil por dia. Candongueiro é um tipo de tambor pequeno, que foi bastante utilizado por escravos no jongo, uma dança ritual com um discurso falado ou cantado. No jongo, mulheres e homens se dispunham numa roda e desafiavam os outros participantes com versos de improviso, chamados pontos, elaborados numa linguagem cifrada.Zé Luiz do Império, Luís Grande e Jurandir da Mangueira - Sesc Pompéia/Choperia. Rua Clélia, 93, 3871-7700. Amanhã e quinta, às 21 horas. De R$ 5 a R$ 15

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