Balaio traz 80 atrações musicais

Uma programação de A a Z, com cerca de 80 atrações musicais, vai ocupar 9 unidades do Sesc. O projeto Balaio Brasil tem como atrativo a abertura de espaço para bandas e artistas pouco conhecidos no circuito comercial Rio-São Paulo, sem priorizar gêneros ou tendências. A criatividade promete imperar no período.Algumas dessas atrações passaram pela edição deste ano do festival Abril Pro Rock, criado em 1993 em Recife e que revelou, entre vários nomes, Chico Science e Nação Zumbi. Na quinta, no bar do Sesc Belenzinho, Silvério Pessoa, ex-vocalista do grupo Cascabulho, mostra canções do seu projeto-solo, Bate o Mancá - antecipado no Abril Pro Rock -, em que passeia pela obra de Jacinto Silva. Assim, retoma a visceralidade nordestina por meio de danças e ritmos como o côco e o bumba-meu-boi. Ele canta também na sexta. Alguns shows vão se repertir durante o projeto.No dia 23, também no Sesc Belenzinho, há o espetáculo do grupo curitibano Fato, que, recentemente, lançou o CD Oquelatá Quelateje, produzido por Rodolfo Stroeter. Com violas, rabecas palmas e o sapateado dos tamancos de fandango (típicos no Paraná), o grupo cria uma música atualíssima. Além disso, alia a essa marca rítmica incomum instrumentos convencionais, como teclado, baixo e bateria. Há outros artistas e bandas do Paraná, como Crazyfaction e Jubah Jabuth.Bem menos regionalista será apresentação do duo cearense Forma Noise, na festa de encerramento do projeto, no dia 25, no Sesc Pompéia. Priscilla Dieb e Dustan Gallas criam música eletrônica há quase três anos. Algumas composições do repertório utilizam, de forma não usual, a zabumba, o triângulo e o acordeão. Essa sonoridade acústica funde-se ao som eletrônico do sequenciador e do sampler. É difícil encontrar uma definição para a música do duo. Nela, há elementos da lounge music, tecno, house, trance e até da bossa nova. O duo mostra o repertório do primeiro CD Lá em Casa É desse Jeito, lançado pelo selo holandês Disco Voador. Mas eles já estiveram em São Paulo, tocando na Lov.e, em agosto. O Forma Noise compõe o tripé da nova música alternativa cearense. Ao seu lado está o grupo Cidadão Instigado e os rappers do Conscientes do Sistema.O rap não foi deixado totalmente de lado no projeto. O grupo Faces do Subúrbio, de Pernambuco, toca no sábado no Sesc Belenzinho, na mesma noite do Mamelo Sound System e do carioca MV Bill. As músicas que vão mostrar são do CD Como É Triste de Olhar, o terceiro da carreira do grupo. Nele, continua a mistura do hip-hop com punk rock, hardcore e ritmos nordestinos. Não é a primeira vez que o Faces do Subúrbio vem a São Paulo. Em 1995, o grupo tocou para milhares de pessoas no Anhangabaú, durante evento de comemoração dos 300 anos de Zumbi. Desde então voltam sempre à cidade. A luta contra a violência e pela educação das crianças carentes é um dos principais temas das músicas da banda.O rock, com suas diferentes facetas, também terá espaço no Balaio Brasil. O Mopho, das Alagoas, faz uma música calcada no psicodelismo, iê-iê-iê e hard rock dos anos 70. De São Paulo, toca a banda Pin Ups que teve grande prestígio nos anos 90 e agora retoma com o mesmo pique. Outro representante paulistano é o Between Sky and Flowers. Numa fusão de folk e blues do fim de século, canções tristes do oeste inspiradas pela literatura beat e pelo existencialismo, o grupo apresenta músicas de sua autoria e, ocasionalmente, versões para Velvet Underground, Love, The Jam e Mark Lanegan.Não faltam nomes de expressão nacional, como Marcos Suzano, Zé Ramalho, Cássia Eller, Demônios da Garoa, João Bosco, Luiz Melodia, Otto, Pedro Luís e a Parede, mundo livre s/a, Zélia Duncan, Arnaldo Antunes, Mestre Ambrósio e Toni Garrido. No entanto, eles estão dispersos pela programação recheada de novidades. Nos fins de cada noite, a Choperia do Sesc Pompéia será o palco de jams sessions entre músicos e artistas que se apresentaram durante o dia.

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