Bailes em São Paulo foram assunto da semana

Um dos assuntos que estiveram na boca do povo na última semana foi a realização dos primeiros bailes funks na cidade. O primeiro foi organizado pela equipe de som Furacão 2000, na quinta-feira, na casa noturna Fabricca 5. Segundo um dos diretores da boate, Cesar Augusto Gorrão, cerca de seis mil pessoas foram ver o "furacão do funk" chegar. E quatro mil ficaram de fora, provocando confusões. "Não era somente o público que freqüenta a casa. Havia curiosos de todos os lugares", analisa ele. Cinco ônibus de excursão, vindos de Campinas, Guarujá e Rio de Janeiro aportaram no lugar. Com isso, a organização da Fabricca redobrou a segurança interna para a noite de domingo, acreditando na mesma afluência de funkeiros.Se não fosse pela tradicional matinê da casa, porém, o prejuízo do dia teria sido completo. Como cerca de 4 mil garotas e garotos foram ver o grupo Bonde do Tigrão à tarde, a direção achou que a casa lotaria à noite. Bobagem, invenção. Se no Rio, mesmo aos domingos, os bailes ocorrem até altas horas, em São Paulo foi diferente. Apesar da expectativa, apenas cerca de 500 pessoas foram a casa. Havia muito pouco de funk, nem sinal de alguém da Furacão 2000. Apenas uns protótipos de bailarinos de funk que dançavam como estivessem numa academia de ginástica aeróbica.Popozudas - Três popozudas reluziam na pista vazia. Não estavam juntas. A mais exibida era a "estudante de direito da USP" Sheila Venturiely, de 23 anos. Acompanhada do namorado, o modelo Marcelo Souza, ela insistia que era uma das únicas a saber dançar a música do Bonde do Tigrão.Poucas garotas se arriscavam a dançar funk como as cariocas. Uma delas era a mineira Alessandra Cristina de Souza, de 23 anos. Ela aproveitou a visita ao noivo, o engenheiro de computação Rene Arauco, de 28 anos, para, ao seu lado, curtir o primeiro baile funk em São Paulo. "Eu adoro danças quentes e pagode. Agora o funk, na minha vida, entra no lugar do pagode", afirma ela, que aprendeu todos os passos da música na TV. Alessandra conta que no bairro de Planalto, na zona norte de Belo Horizonte, onde mora, há baile funk. "Mas eu evito ir porque os bailes nas quadras perto da minha casa são perigosos."Empresariada pelo "seu taxista", Sinval Cavalheiro, a dona de casa Maria Patrícia Alvez Bezerra, de 18 anos e residente no bairro de São Matheus, na zona leste da cidade, está apostando tudo no funk. "O meu sonho é vencer como dançarina e aparecer no programa Domingo Legal", conta. Naquela noite, Patrícia investiu R$ 72,00 em taxi, estacionamento e no ingresso de Cavalheiro, acreditando na lábia do moço e no próprio popô.

Agencia Estado,

19 de fevereiro de 2001 | 16h26

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