Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Baile de Orquestra

Depois de lotar shows, o afro funk envolvente do Bixiga 70 vira disco e quebra a sisudez da música instrumental

Roberto Nascimento - O Estado de S.Paulo,

28 de outubro de 2011 | 21h15

São raras as bandas de baile que se expressam de forma visceral e conseguem levar a plateia a um êxtase rítmico aquém da razão. Como o respeito do craque pela bola, a confecção de música dançante requer um carinho religioso pela magia do suingue, um ritual pouco valorizado por músicos acostumados a bater o cartão, ler uma partitura e receber o cachê. Infelizmente, a burocracia do groove pragueja a esmagadora maioria de bandas de baile.

Em São Paulo, tocam gafieira, samba rock, salsa, e muitas vezes nos fazem suspirar aliviados quando o DJ lança aquele Best Of do James Brown entre os sets.As surpreendentes exceções à regra ficam por conta de grupos como o Bixiga 70, banda de viés afro-cêntrico, integrada por músicos que atuam ao lado de nomes influentes da cena nacional. Lançam nesta segunda-feira o primeiro disco por meio de download gratuito no site Bixiga70.com (ouça faixas hoje, em primeira mão, no portal do Estado) integrar o seleto grupo de grandes bandas do País. Também inauguram, nesta terça-feira, um baile mensal no Bixiga.

Digno de adjetivos como arrebatador, impecável e animal, o disco é facilmente o grande lançamento instrumental do ano. "Sempre quisemos montar uma banda que fugisse desta ideia de operário da música, do cara que vem, lê e vai embora", explica Cuca Ferreira, o sax barítono da banda."Nós trabalhamos com muitas pessoas, mas sempre deixamos claro, uns aos outros, que este seria nosso projeto principal, por isso o som é diferenciado”, completa o músico, que juntou-se a Décio 7 (bateria), Marcelo Dworecki (baixo) Cris Scabello (guitarra),Mauricio Fleury (teclas e guitarra), Rômulo Nardes e Gustavo Cecci (percussão), Dany Boy, Doug Bone e Daniel Gralha (metais), em 2010, para formar a mini orquestra. A ideia era pesquisar a intersecção de ritmos africanos com brasileiros, colorindo-os com um naipe de metal de uma big band (trompete, trombone e saxofones) em arranjos instrumentais baseados em referências de soul, de afrobeat e de jazz.

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